Mamãe, de onde vem as idéias???

A alguns meses eu daria qualquer coisa para que alguém, alguma alma caridosa, me dissesse por onde começar. Coloquei na cabeça que seria escritora. Pensava: Quero escrever um livro, mas como começo?
Ora, é melhor que a gente comece do começo, não é? Pois bem. Pode parecer algo estúpido ou óbvio, mas toda história começa com uma idéia. Oh acabei de ter uma idéia! que tal: uma adolescente decide ir morar com o pai num lugar que ela detesta e aí conhece um garoto liiiindo de morrer (que ela acaba se apaixonando), mas há um grande problema, ele é um vampiro! Hã, você já ouviu essa antes? Hum, deixe-me ver…
É, como podem ver, ter uma idéia é fácil. O difícil é ter uma idéia criativa, original, nova.
Então, o primeiro assunto que vou falar é sobre como conseguir esse tipo de idéia. De cara eu vou logo dizendo. Guarde o livro da Stephanie Meyer na gaveta. Você não vai reescrever o Crepúsculo. Você precisa de algo novo. Algo que nunca foi explorado antes, que nunca foi escrito. Pelo menos esse deve ser o nosso desejo! Devemos almejar sempre por algo ímpar, singular.
Decidida a aprender essa bagaça nem que seja no tapa, me lancei no Google e descobri a palavra “brainstorming”. Eu não sei se vocês se lembram desse termo, mas a primeira vez que ouvi essa palavra foi em uma aula de português (Isso foi a milênios atrás. Hehehe). A professora traduziu o termo livremente chamando-o de chuva de idéias. Quem nunca fez esse exercício na sala de aula? Num papel você escreve tudo o que vier a sua mente sobre o tal assunto. Pode ser sobre política, religião, violência. Viva as aulas de redação!
Bem, no nosso caso, o que estamos buscando é uma idéia para um livro de romance, terror, ficção cientifica, sei lá. Como que é o processo então? Geralmente eu já tenho um fio por onde começar. As vezes eu começo com uma imagem que mexeu comigo, ou a letra de uma música que não me sai da cabeça. Pode ser o fragmento de um sonho ou algum evento que presenciei na saída da escola ou trabalho. Enfim, pode ser qualquer coisa.
Primeiro eu escrevo o que tenho em mente num papel. Se for uma imagem, eu a descrevo. Se for uma música, eu a anoto e por ai vai. Um dia desses eu tava com muita raiva de alguém e decidi planejar a morte dela. Foi aí que tudo começou. Eu fui anotando tudo com uma fúria insana. Acho que até parei de respirar por uns minutos. Anotei palavras que acreditava serem fortes. Anotei diálogos que surgiram na minha mente. Desenhei o lugar que imaginei todas essas coisas acontecendo. Fiz mapas. E daí foi surgindo uma idéia.
Muita gente acha que escrever é fácil. Eu vasculhei a internet de cabo a rabo e cheguei a conclusão que inspiração não existe. Só existe o trabalho árduo, duro, determinado. Existe o impulso, o desejo de escrever e existem as técnicas. Tem que gastar neurônio pra ser escritor. Tem que namorar a idéia por um tempo, olha-la de vários ângulos. Não é a mesma coisa que carregar saco de cimento, é logico, mas é trabalho intelectual. E não é fácil, não aparece na mente da gente do nada. Tem que garimpar.
Eu até comprei um caderno para cada idéia que tive no último mês (quero dizer, um caderno para as idéias que achei mais interessantes, na verdade). Nesse caderno vou anotando as idéias que acho que combinam com a idéia inicial (Tipo: a morte da fulana combina com a foto dessa FACA!). Músicas que formam a trilha sonora, fotos de lugares que achei na net que tem tudo a ver com o assunto. E me deixei levar pela empolgação. Aos poucos uma idéia foi se combinando com outra. Uma cena combinou-se com uma música. E assim a coisa foi tomando forma, a história foi se desenhando na minha frente. Sim, senhoras e senhores, a história deve ser cuidadosamente desenhada. Ela tem que ter inicio, meio e fim. Precisa de uma estrutura. Tem que ser delineada e organizada. E isso não acontece por acaso.
Primeiro: Pegue o lápis e o papel e anote tudo. Não se esqueça de nem um ponto ou uma vírgula. Põe lá no papel: eu quero escrever uma história assim e assim, com um personagem que é assim, vai ter uma guerra assim… e manda ver. Coloque lá tudo que vier a sua mente.
Depois vem a fase dois. Precisamos de transformar toda essa informação em algo útil e coerente. A forma que funcionou pra mim é a dada por Randy Ingermanson. Faça uma sinopse de uma linha da sua história. Essa linha deve ter apenas 15 palavras.
Exemplo: “As vidas de uma mulher britânica e uma garota nigeriana se colidem num romance sobre a perda da inocência e sobrevivência”.
Ok, eu sei, tem mais de quinze palavras, mas isso é porque tive que traduzir da lista de best-sellers do jornal New York Times!
Acho que deu pra entender, não é?
Outro exemplo: “Um crítico de cinema relembra sua infância a sombra dos segredos de sua família”.
Essa sinopse de uma linha vai conter a essência do seu livro. A partir daqui nós vamos começar a fazer o “outlining”. Isso significa que vamos desenhar, delinear essa história. Vamos escrever onde ela se passa, os maiores acontecimentos e o final.
Mais uma vez, a melhor dica que li foi a de Randy Ingermanson. Pegue a sinopse de uma linha que fez no passo acima e expanda ela, transformando-a em um parágrafo. Deve ter cerca de cinco frases apenas, incluindo informações como: onde a história se passa (lugar, época e etc), quais os maiores obstáculos que seu personagem vai encontrar ou os maiores desastres que vai enfrentar, e por fim escreva como vai terminar a história. Isso vai te dar uma boa idéia geral e ajudar a escrever as cenas que vão convergir todas para o final desejado.
Agora vou falar a respeito desses desastres que mencionei acima. Randy gosta de colocar três desastres mais o final. O primeiro desastre (ou problema) pode acontecer por acaso. Já o segundo e o terceiro resultam das tentativas do seu personagem em resolver o problema, mas infelizmente ele acaba se afundando mais e mais na bagunça que criou. Isso vai te levar ao clímax da história, ao ponto mais alto, a solução do problema (que é a grande batalha do bem contra o mal se estiver escrevendo esse tipo de livro). Pode também usar a estrutura dos três atos de Aristóteles (eu vou escrever mais sobre essa estrutura em outro artigo).
Essa forma de trabalhar tem me ajudado muito. Mas li em alguns sites e blogs que muita gente detesta fazer esse “outlining”. Eles alegam que se sentem muito presos e que precisam de estar livres para criar. Bem, nessa confusão descobri um podcast excelente chamado “Writing Excuses” lá aprendi que existem dois tipos de escritores. Existem os “outliners” que fazem todo o roteiro antes e planejam muito bem a sua história antes de começar – capítulo por capítulo. E há os chamados “discovery writers”. Estes são aqueles que começam a escrever a esmo até descobrirem o que os personagens estão aprontando e daí seguem com a história. Eu gosto de planejar. Outros gostam de ir escrevendo até descobrir a história. A dica para resolver o problema de quem não gosta de planejar que mais gostei foi a do site http://www.suite101.com. Lá eles aconselham que você comece escrevendo um capítulo ou dois até descobrir sobre o que é essa sua história. Depois de ter descoberto isso, afinal você é um “discovery writer”, faça um breve planejamento (outlining) para não se perder.
Desta forma eu consegui tornar meu trabalho bem mais produtivo e coerente. No próximo artigo vou escrever um pouco sobre o que andei aprendendo sobre personagens. Como criá-los, como fazer que os leitores simpatizem com ele e coisas do tipo.
Bjos e até lá.

5 pensamentos sobre “Mamãe, de onde vem as idéias???

  1. Muito legal isso. Eu no caso sou uma “discovery writers” , pois comecei a escrever sem planejamento. Mais tarde é que parei para planejar a história.

  2. Não sei se sou discovery writer ou outliner… Eu já tinha uma idéia na cabeça e fui escrevendo ela – Pra desenvolver personagens e ajeitar o terreno – Até o primeiro grande problema. Nisso, como não daria pra eu continuar só escrevendo sem um esqueleto (Chamo o outline de esqueleto), comecei a escrever a timeline pra precisar só seguir ela. Só que, além das coisas da timeline, vieram mais coisas espontáneas que eu TIVE que pôr na história. Alguns personagens que surgiram, me deram um tapa e falaram: “Ó, eu vim pra FICAR nessa porcaria, ouviu bem? Então faça um favor e me desenvolva e não me abandone senão te ligo e em sete dias você morre” e que eu não pude recusar. Nisso, algumas coisas da timeline ficaram impossíveis de serem feitas. Aí tive que modificar a timeline… Até que chegou uma parte que eu não tenho usado a timeline, só mesmo pra definir anos e meses.

    Enfim, o negócio das idéias…

    Eu às vezes tenho lapsos de inspiração. Tipo, acordo e digo “OMG, aquele sonho foi muito legal. Vou ver se uso pra escrever algo”. Às vezes vem de música. Mas muitas vezes eu tenho que pensar mesmo. Sei lá, inspiração é uma coisa complicada. Não sei discutir sobre ela XDD

    Mas gostei dos sites. Depois vou vê-los com calma. Also ótimo artigo, só cuidado pra não matar ninguém fo’ reals… Vai que o CSI ache… õ_õ

    • Sabe que eu também estou na dúvida. Achava que era outliner mas agora desconfio que sou discovery writer.
      Só para não se assustar: A vontade de matar aquela pessoa foi embora, mas a ideia ficou e acho que vai ficar muito boa depois de trabalhada. Realmente é muito interessante observar de onde as nossas ideias geralmente surgem (aí é só ficar com o caderninho do lado esperando), pois elas fogem rápido e se não anotar na hora…

  3. Eu comecei a escrever uma história ao acaso inspirada em mim mesmo. Pois bem, umas trinta páginas de cadernos depois – com letra garranchosa e enorm e erros assustadores – essa história passou a ser uma trilogia e realmente eu vi a necessidade ter planejar a história. Isso não quer dizer que no meio do meu ( ainda ) processo não surja uma ou outra ideia, assim como mais um personagem deveras importante.

    Eu simplesmente estou adorando seu site.

    • Oi Tiago, que bom que encontrou o blog a tempo. Eu estou aprendendo muita coisa e fico satisfeitíssima quando descubro que outras pessoas também estão tirando proveito das minhas descobertas. Tenho alguns projetos em andamento e vez por outra me estresso com eles a ponto de querer morrer, mas um ou dois dias depois eu consigo dar continuidade a ele sem maiores problemas.
      Uma coisa que não entendia e começo a perceber agora é sobre o tal bloqueio. Alguns escritores dizem que isso não existe, e essa afirmação me fazia rugir de ódio a uns meses atrás. Acontece que tenho percebido que toda vez que tenho o tal bloqueio é porque me falta algum conhecimento da história ou do personagem. O bloqueio não vem à toa ou “do nada”. Geralmente os meus bloqueios acontecem quando o pedaço da história que estou escrevendo não está bem planejado ou porque não conheço o personagem o suficiente para imaginar o que ele faria em tal situação. Ai eu volto e planejo um pouco mais, eu escrevo mais sobre a história do personagem e ai o bloqueio desaparece. A cena flui que é uma beleza.
      Como disse, estou aprendendo muito. O blog está me proporcionando uma experiência que não teria se estivesse nessa jornada sozinha. O compromisso de ajudar os outros a começarem seus projetos trouxe mais responsabilidade para minha vida de escritora. Eu estou amando tudo isso. Toda sexta eu posto um artigo novo. Sinta-se em casa, comente e se tiver algum assunto que queira se aprofundar, pode me deixar uma notinha.
      Bjos da Barts

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