Ponto de vista (parte 2)

Tirei esse texto do site http://www.suite101.com . Estou buscando entender melhor a questão dos pontos de vista e achei que esse texto pode ajudar. Ainda acho que vou ficar com a terceira pessoa para meu projeto atual.

Tem um livro muito bom de Bob Mayer chamado “Novel writer’s toolkit” que fala desse assunto tão melhor que depois que li cheguei a desgostar desse artigo do suite, mas já havia traduzido, então vamos ficar com ele mesmo essa semana.

Primeira Pessoa Ponto de Vista – Guia do Escritor

Autor: Alice Luxton
Publicado em: julho 26, 2009

A técnica popular de escrever com o ponto-de-vista em primeira pessoa é muito usada para escrever ficção, mas é o caminho certo para contar uma história? Conheça os prós e os contras do ponto-de-vista em primeira pessoa.

O ponto de vista em primeira pessoa pode ser mais íntimo do que em terceira pessoa, que é um POV mais comum, e isso pode ser simultaneamente uma vantagem e uma desvantagem. Que tipo de histórias ficam mais bem contadas em primeira pessoa? As respostas serão sempre individuais e variadas, mas essas orientações podem ajudar um escritor a decidir qual voz e perspectiva usar.

Perguntas a fazer quando se escreve em Primeira Pessoa

Esse é o personagem que está mais qualificado para contar essa história?

Às vezes, o personagem central é o mais qualificado. Às vezes, é outro personagem, por exemplo, em Sherlock Holmes as histórias são narradas por Watson. Holmes não pareceria tão esperto ou impressionante se o leitor pudesse ver exatamente o que ele estava pensando. Por outro lado, um mistério que deu certo em primeira pessoa enfocando o personagem central e, no entanto, não revelou a seqüência de ideias, seriam as novelas de Raymond Chandler, que se dedicam ao detetive Philip Marlowe. Chandler geralmente realiza um trabalho muito bom escondendo os pensamentos de Marlowe, fazendo dele um tipo de cara durão que não gosta muito dessa coisa sentimental e introspectiva, contudo, a sua escrita ainda tem sido criticada por alguns por esconder o que deveria ter sido óbvio para o leitor. Em geral, certifique-se de mostrar todos os detalhes relevantes que os sentidos do personagem revelam. Pensamentos e sentimentos podem ser escondidos para revelação posterior- por exemplo, Bob, olha para uma foto de seu pai e se sente triste, mas só no próximo capítulo vamos perceber se isso é porque o pai de Bob está morto, já morreu, se estão afastados ou simplesmente porque ele recentemente insultou as habilidades de Bob. No entanto, quando se utiliza primeira pessoa, ficar tentando sugerir uma dessas opções e mais tarde revelar uma outra história não é jogo justo. Se estiver usando desorientação, seja sutil.

Que tipo de personagem é o narrador?

Quão emotiva é essa pessoa, quão pensativa e introspectiva ela é? A voz do personagem irá revelar coisas muito diferentes, dependendo destes fatores. Vamos pegar a mesma situação – Jane ama Bob e não disse isso a ele – visto através dos olhos de três diferentes Janes. A primeira Jane, que não é nem muito emocional nem muito introspectiva, poderá dizer ao leitor que Bob é um cara grande, forte,inteligente e leal, e ela o queria sempre a sua volta para ajudá-la quando os problemas surgirem na sua vida. Ela não está falando de seus próprios sentimentos: ao invés disso ela diz ao leitor o que ela sabe sobre Bob, e leva-os a tirar suas próprias conclusões. A segunda Jane, que é muito emocional, mas não muito introspectiva, poderá dizer ao leitor que ela sentiu borboletas no seu estômago quando Bob estava por perto, que, quando Bob elogiou seu vestido, todo seu humor melhorou, e que ela pensava que Bob tinha um grande sorriso e isso a fazia pensar sobre crianças com aquele sorriso. Ela não iria se deter sobre as implicações destes sentimentos. A terceira Jane, que é introspectiva sobre suas emoções, poderá dizer ao leitor seus pensamentos sobre Bob: ela quer casar com Bob? Por que sim ou por que não? Que tipo de pessoa que ela acha que ele é, e ela acha que seus traços de personalidade são compatíveis?

Vantagens e Desvantagens

O referido tipo de monólogo interno é simultaneamente uma grande vantagem e uma grande desvantagem quando se escreve no POV em primeira pessoa. Um escritor pode contar histórias desta forma que não poderiam ser ditas de outra forma: quando um personagem reúne pensamentos e sentimentos complexos, ou confunde-se com uma situação, isso pode ser bastante empolgante – mas, por outro lado, se esse personagem está apenas sonhando acordado sobre suas emoções mais primitivas, isso pode entediar o leitor. Em qualquer caso, um escritor deve sempre certificar-se de alternar entre cenas de introspecção e ação. Os pensamentos de um personagem central podem ser gratificantes, mas apenas se eles são algo que o leitor tenha visto, sentido, ou experimentado através da percepção do personagem. Filosofar sobre uma vida chata afunda qualquer história.

Mudança de POV

Uma nota final sobre primeira pessoa: mudar o ponto-de-vista pode dar vida a uma história, ou enfraquecê-la, portanto considere cuidadosamente a decisão de escrever mais de um ponto de vista. A vantagem de ter múltiplos pontos de vista numa história em primeira-pessoa é que ele mostra mais informação e mais perspectivas para o leitor. O ponto fraco é que a história pode não precisar de todas essas informações – e que, quando os pontos de vista dos personagem são adicionados apenas pra fornecer informações, a história acaba aparentando seca e chata. O antídoto é fazer todos os pontos de vista dos personagens corretos como pessoas interessantes por si próprias.

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