7 passos rumo a diversidade de personagem

7 Passos Rumo à Diversidade de Personagens

Por valeriaolivetti @ 21:41 em http://dicasderoteiro.com

O artigo de hoje foi tirado do site The Bald Truth About Writing (A Verdade ‘Careca’ – ou, como nós dizemos, ‘Nua e Crua’ – Sobre a Escrita), e é de autoria de Alan C. Elliott, o “Escritor Calvo” (Bald Writer):

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Um problema que assola a maioria dos escritores é criar personagens que são semelhantes demais – parecidos demais com eles mesmos. Se eu fizesse do meu jeito, as minhas histórias seriam cheias de caras de meia-idade gordos e carecas. Ei, isso pode não ser interessante, mas seria mais fácil para eu “entrar nas cabeças deles”. Okey, não é uma boa ideia. Como, então, devemos criar os personagens? Aqui vão sete ideias que você pode usar para povoar a sua história com personagens diferentes.

1. Faça personagens fisicamente diferentes. Eu fiz uma vez um curso de animação na Disney, onde os animadores discutiram como eles escolhiam um “elenco”. Segundo eles, o elenco ideal consiste de um grupo variado de personagens. O ponto de partida são as características físicas. Selecione personagens onde alguns são altos, alguns baixos, alguns têm sobrepeso, alguns são magrinhos, alguns, bonitos, alguns, nem tanto. Em outra ocasião, eu observei a escolha de elenco do filme “Closure: The Problem with Money”. O diretor falou sobre a importância de selecionar um elenco de apoio somente após os protagonistas estarem definidos. Isto é óbvio quando alguns personagens supostamente são filhos de outros – mas isto também é importante para o elenco ter uma “aparência” – não que todos eles tenham que ser tipos de pessoas parecidas – mas que o grupo forme um conjunto interessante de pessoas. Assim é em qualquer história – selecione membros de elenco que sejam fisicamente diferentes uns dos outros – para distingui-los e trazer diversidade à história.

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2. Selecione personagens que sejam emocionalmente e culturalmente diferentes. Marge é uma chorona. Ela é a melhor amiga de Kathy, que é uma otimista. George é um dedicado Republicano, temente a Deus, cuja casa tem os fundos para os vizinhos Buffy e Hank, os nudistas que gostam dar mergulhos à meia-noite, pelados. Abu, o Hindu, fica preso no elevador por 11 horas com Donna, a voluptuosa cantora gospel Pentecostal. E ambos têm de fazer xixi. Pessoas diferentes fazem coisas interessantes acontecerem. Claro que, às vezes pessoas que são parecidas demais fazem as coisas acontecerem também. Que tal duas adolescentes ruivas irritadiças que querem ambas ser chefe das líderes de torcida – elas são semelhantes em muitos aspectos, mas você ainda vai ter de encontrar algo que as torne diferentes, de modo que elas tomem caminhos diferentes para atingir o mesmo objetivo.

3. Crie personagens com nomes de sons diferentes. Existem 26 letras no alfabeto. Use-as generosamente quando for escolher nomes. Os leitores ou espectadores ficam facilmente confusos quando Mary, a detetive, está atrás de Merriam, a caroneira, porque ela é suspeita de matar Martha, a herdeira. Selecione cuidadosamente cada nome para ser diferente dos outros. Raramente crie personagens com nomes que comecem com a mesma letra – a menos que haja uma razão. Você pode ter trigêmeos chamados Larry, Luke, e Leonard… se de fato você tem essa situação – você precisa dar a cada um deles alguma característica única que os diferencie em sua história, caso contrário, o seu público vai ficar confuso.

4. Dê diferentes vozes aos personagens. Os autores tendem a escrever diálogos usando a sua própria voz. Não faça isso. É um assassino certo para qualquer história. Ouça as falas das outras pessoas. Descubra o que faz a escolha de palavras delas diferente – não dependa de sotaques diferentes – um sotaque irlandês versus um sotaque sulista arrastado. Deixe que a escolha de palavras, a extensão das frases, o nível de formalidade, inteligência ou outros aspectos da linguagem, definam os seus personagens. Sente-se num lugar público e ouça as pessoas falando. Anote as frases que você ouve. Desenvolva um ouvido para cada personagem, para que você possa ouvi-los falar – e, em seguida, escreva o que eles dizem.

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5. Dê aos personagens diferentes objetivos de vida. As pessoas reagem a situações por causa de suas crenças ou objetivos de vida. Duas pessoas encontram um envelope em uma rua da cidade. Ele contém $500, e nenhuma identificação. Uma pessoa que aposta em jogos, frauda seu imposto de renda ou que precisa comprar cocaína, irá reagir de forma diferente da de um zelador honesto-como-o-dia-é-longo, ou um professor de Escola Dominical (esperamos). Escolha especificamente, escreva, saiba de cor, as crenças fundamentais de cada um dos seus personagens. Dessa forma, quando ele forem colocados em situações desafiadoras, você saberá como eles devem agir. Além disso, certifique-se de que o leitor tenha uma idéia do sistema de crenças daquele personagem, de modo que, quando ele agir, não esteja “fora do personagem”. Se o seu personagem fizer algo inesperado, certifique-se de que havia algumas sementes plantadas mais cedo (e talvez, não completamente reveladas até mais tarde) para explicar o comportamento.

6. Rotule os personagens. Nós não gostamos de classificar as pessoas, ou fazê-las unidimensionais, mas rotular ajuda de fato a definir um personagem. Você quer que o seu jantar-banquete seja preparado por um cozinheiro de lanchonete mordendo um charuto e com um pacote de cigarros enrolado em sua manga? Ou pelo rabugento chefe fita-azul (premiado) que mede a temperatura de cada pote em intervalos precisos de trinta minutos, e que insiste que o chão seja mantido completamente limpo? Rótulos podem definir aspectos rápidos de um personagem – mas não tem de limitá-los. O chefe rabugento pode ser um fã de NASCAR, e o cozinheiro de lanchonete pode também treinar cães-guia porque a filha de sua irmã é cega. De todo modo, nunca crie um personagem que seja uma representação perfeita de um rótulo.

Deficiencia e trabalho em grupo

7. Dê aos personagens finalidades diferentes, mas específicas, dentro da história. A maioria dos personagens são incluídos em uma história por uma razão específica. Um cunhado piadista pode dar alguma leveza à sua história. Se ele fizer isso – deixe-o fazer suas piadas ao longo da história – não mude-o (sem motivo) em um pessimista carrancudo no meio do caminho – a menos que seja necessário para a sua história. Crie personagens específicos para fazer determinadas tarefas dentro da sua história. O seu herói, por exemplo – terá qualidades redentoras que farão ele ou ela capaz de enfrentar algumas circunstâncias terríveis que a história irá proporcionar. O seu herói pode ter um aliado – alguém que é um ajudante (o Sam, de O Senhor dos Anéis, vem à mente). Ele pode ter um mentor, um adversário, um interesse amoroso, e assim por diante – cada um com uma tarefa específica para fazer a história ir adiante. Claro que também existem personagens sombrios ou mutáveis, que começam como um tipo de personagem (um aliado) e são revelados mais tarde como sendo uma outra coisa (eles na verdade são capangas do inimigo).

Olhe novamente para estes itens – eles têm a ver com a criação de um conjunto interessante de personagens variados que serão capazes de carregar a sua história. O seu dever de casa é fazer uma lista de personagens em sua proposta de história, ou história atual. Para cada personagem, escreva como eles atendem a cada um destes sete critérios. Use isto como um começo, para depois acrescentar outras características biográficas de cada personagem – para conhecê-los como indivíduos únicos.

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Boa escrita hoje, com ótimos personagens para você! :mrgreen:

Um pensamento sobre “7 passos rumo a diversidade de personagem

  1. Tem muita coisa interessante nesse artigo,
    é muito bom para não pecar na criação dos personagens, que eu considero um dos pontos
    mais difíceis na hora de escrever.
    Puts, tem cada imagem perturbadora
    hahahahaha

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