Resenha: A Dança da Morte

Análise do livro “ A Dança da Morte”

por Allgood

O propósito básico de escrever esse texto, é analisar algumas obras que venho lendo e apresentar pontos positivos e negativos do mesmo e como um iniciante na arte de escrever pode usar desses mesmo pontos.

O primeiro livro que venho analisar é “ A Dança da Morte “  do autor Stephen King. O livro foi publicado originalmente em 1978 e teve grande repercussão recebendo ótimas críticas tanto dos leitores como de pessoas especializadas sendo chamado até de “ fenômeno literário “.

Bom deixemos o histórico de lado e partamos para a parte interessante, a análise!

“ A Dança da Morte “ pode ser divido em três partes principais que torna sua análise mais fácil e é o que farei aqui, dividirei a historia em três partes analisando cada uma delas separadamente.

Primeira Parte

A primeira parte é exatamente o começo do livro, aonde o autor nos apresenta um mundo normal mas que está prestes a mudar devido a um acidente com uma arma biológica em uma base do governo. Nessa primeira parte Stephen King nos mostra como a arma biológica conhecida como “ Projeto Azul” ou “ Capitão Viajante” se espalha pelo mundo e os efeitos que a mesma tem. É nessa parte também que conhecemos boa parte dos principais personagens do livro que ainda não estão ligados entre si. Temos estudante colegial grávida Frances Goldsmith, um trabalhador de fábricas desempregado do Texas Stuart Redman, um errante com ensino superior Harold Lauder, um viajante surdo-mudo Nick Andros (diga-se de passagem que esse personagem foi um dos que eu mais vi serem “judiados” por um autor, mesmo sendo bonzinho”), um músico pop insatisfeito Larry Underwood, e um professor de sociologia pessimista Glen Bateman. Lembrando que os mesmos ainda não se encontraram. Os personagens nos são apresentados antes da infecção, durante a infecção e após a infecção o que da bastante visão sobre como os personagens mudam diante das dificuldades que têm que enfrentar. E essa característica é um dos pontos mais forte desse livro, o modo como ficamos conhecendo os personagens e o modo como eles reagem e crescem com o passar do livro, e nesse ponto eu tiro o chapéu para o Stephen pois ele consegue passar uma imagem dos personagens e seus jeitos de um modo muito raro de se encontrar.

Bom, logo que conhecemos os personagens e suas vidas antes da infecção, passamos para o passo seguinte ainda na primeira parte do livro, que é quando os mesmos tem que enfrentar o fato de que a infecção está matando boa parte da população e não há nem indícios de que uma cura está sendo feita ( cerca de 98% da população morre devido a infecção).  E aqui temos mais um ponto para o mestre do terror.  O modo como o autor consegue retratar os problemas psicológicos dos personagens é impressionante, suas indecisões, suas inseguranças e principalmente a dificuldade em encontrar um caminho a se seguir. É nesse meio tempo que “conhecemos” uma das personagens mais importantes do livro, Abigail Freemantle também conhecida como Mãe Abigail. Conhecemos entre aspas porque nesse momento da historia os personagens apenas sonham com ela não chegando a vê-la pessoalmente. Assim como sonham com a Mãe Abigail que representa no livro a bondade, sonham também com o seu oposto que é um dos vilões mais famosos dos livros de King, Randall Flagg.

Depois de algum tempo nossos personagens, alguns pelo menos, se encontram e decidem qual o próximo passo a tomar, e eles decidem ir para Nebraska encontrar Abigail Freemantle seguindo seus sonhos. Lembrando que o mesmo acontece com Randall Flagg, muitos sobreviventes também estão buscando abrigo ao seu lado. E o caminho para chegar até esses mentores é onde terminamos nossa primeira parte da analise de “ A Dança da Morte”.

Observação de última hora: King descreve nitidamente que Abigail e Flagg são os dois pólos e lideres de uma batalha inevitável entre o bem e o mal, sendo ambos mentores e guias de grupos de sobreviventes.

Segunda Parte

A parte dois do livro vai retratar a viagem que os personagens fazem por todo o país para encontrar a Mãe Abigail, o que eles enfrentam, novas amizades, e também aproveita para explicar um pouco da história de cada um dos personagens principais.

Nessa parte temos o ponto mais incrível do livro para mim, que é a mudança que ocorre com o personagem Harold Lauder. Aqui vale a pena ler cada fala e cada descrição do Harold, por que o modo como ele muda e os motivos que o levam a mudar podem parecer a principio infantis, e até são, mas é impressionante como ele muda e o que ele se torna, passando de um simples personagem secundário para um dos maiores vilões da história.

O tempo vai passando, os capítulos também, e finalmente nossos personagens encontram a tão esperada Abigail Freemantle. A principio alguns personagens ficam com o pé atrás por que o que era para ser o ponto de apoio de todos eles é na verdade uma simples senhora com 108 anos de idade que tem algumas dificuldades, andar por exemplo, dores essas coisas.

Bom, Deus passa as mensagens através de Abigail, então, com o tempo os personagens à aceitam e vêem nela realmente alguém a quem se espelhar e seguir no combate entre o bem e o mal que está cada vez mais perto.

Nosso aventureiros então partem para a cidade de Boulder no Colorado, e lá vão montar a nova sociedade aonde se encontraram apenas pessoas de bem, já que as outras estão indo para Las Vegas ficarem ao lado de Flagg, ainda que seu comando seja na base do medo e da opressão, punindo severamente aqueles que vão contra suas regras.

E é nessa parte que King pisa na bola, (acredito que muitos irão discordar de mim). O que acontece é o seguinte, os personagens tem conhecimento que Randall Flagg está atrás de armamento, tecnologia, religando a energia elétrica da cidade entre muitos outras coisas, com o único objetivo de acabar com a população que vive em Boulder e principalmente com Mãe Abigail. E o que nossos corajosos personagens fazem enquanto isso? Eles montam um conselho, elegem um xerife, coletam cadáveres, entre outras coisas. Ai vocês me perguntam: mas isso não é importante? E eu respondo: É claro que é! Mas a guerra é quase iminente e os personagens não demonstram nem sequer lembrarem disso! A única atitude concreta de preocupação com a situação que estão é quando decidem enviar alguns espiões para descobrir o que Flagg anda fazendo. Nada mais!

É nesse meio tempo também que conhecemos alguns dos poderes de Flagg, tornando um monstro que pode fazer qualquer coisa, saber de tudo e estar em praticamente todos os lugares, além de controlar animais como lobos, corvos e doninhas ( Malditas doninhas!).

Ah, antes que eu esqueça,  Abigail também durante esse tempo, sente que Deus não está mais ao seu lado, devido a algumas atitudes que ela toma e alguns pensamentos que tem. (Mais um ponto importante na criação de um personagem: dependendo da situação até mesmo o líder vacila diante da glória!), deixando os habitantes de Boulder perdidos e ao mesmo tempo imaginando diversas coisas que poderiam ter acontecido, temendo até uma revolta da população que via em Abigail sua fonte de força.

E quando estamos quase terminando a segunda parte vemos a máxima de Harold Lauder.

Obs: Harold também tem uma pequena mudança de comportamento nessa parte do livro, mas como dizem “o mal já estava feito”.

O velho e bom Harold, ou nem tão bom assim, desfecha nossa segunda etapa com chave de ouro. Lembrem-se de se algum dia chegarem a ler esse livro, prestarem bastante atenção no Harold pois para mim ele foi o personagem mais bem bolado do livro. Harold foge de Boulder deixando sua marca e Mãe Abigail volta de seu exílio.

Termina assim nossa segunda parte!

Terceira Parte

Chegamos então a parte final de “A Dança da Morte”, ao tão aguardado final, a tão aguardada guerra, o fim de tudo certo? Errado! Bem, estamos sim no final do livro, mas estamos longe de uma guerra ou de uma batalha entre o bem e o mal.

Aparentemente King tem grandes problemas para terminar seus livros e assim, não podia ser diferente com “A Dança da Morte”. Vou explicar.

A terceira parte começa com a volta de Mãe Abigail a Boulder, bem debilitada e fraca, muitos não sabendo nem explicar como ela ainda continuava respirando. E é nessa parte que as coisas desandam totalmente no livro. Abigail volta não com a chave do segredo para derrotar o mal, muito menos forte o suficiente para isso. Ela volta única e exclusivamente para mandar uma mensagem, a de que alguns dos personagens devem ir até Las Vegas e acabar de uma vez por todas com Flagg. Só isso. Ela simplesmente morre aí! Como assim?!

O que era pra ser o símbolo do bem, o pólo positivo da historia morre sem nem ao menos participar “efetivamente” do confronto. Mãe Abigail sai da história sem nenhum marco importante fora o fato de ser eleita por Deus, para falar a verdade essa é a única coisa que ela faz o livro todo.

Continuando, três de nossos personagens (Stuart Redman, Larry Underwood, Glen Bateman) partem na derradeira missão de eliminar Flagg.

Ai você pensa, agora a coisa pega fogo. E de novo está errado. Não existe nem sequer um confronto direto com Flagg. Existe sim todo um esquema armado, um cenário de revolta que até chega impressionar, mas é só isso. Nada mais.

Flagg é derrotado de um jeito que faz você parar e se perguntar se de algum modo você saltou algumas paginas sem querer e acabou adiantando o final.

Aqueles, assim como eu, que esperaram cerca de 940 páginas por um confronto massivo entre o bem e o mal, se sentem perdidos e com um gosto de faltou alguma coisa na boca. Foram criados dois extremos, tão falados no livro, tão mistificados e eles simplesmente deixar de existir de modo muito simplório e até mesmo infantil.

Conclusão

É claro que eu não iria conseguir descrever o livro todo aqui, acontecem muitas outras coisas que tornam a historia interessante e envolvente. É uma ótima historia mesmo com seus erros, e eu aconselho a todos lerem. Uma dica, se não tiverem problemas em ler livros pela internet, aconselho a baixar e ler pelo computador, caso isso seja um problema ( assim como para mim), aconselho procurar o livro em bibliotecas ou sebos ( lojas com livros usados), sendo que o preço é bem mais acessível, já que o livro custa em média 85 reais.

Pontos a serem aproveitados:

Para quem está começando a escrever ou até mesmo já esteja algum tempo familiarizado com essa arte, encontra em “ A Dança da Morte” um ótimo ponto de referência para criação de personagens, como por exemplo o Harold Lauder que citei várias vezes durante o texto. Outro ponto bem interessante e que pode ser aproveitado ao máximo, são os conflitos internos dos personagens e o modo como eles agem.

Resumindo, é um livro e tanto para se aprender sobre personagens e como criá-los de modo criativo e envolvente.

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