Oficina de contos #3

Ok, este é mais um relatório de como estou indo na oficina de contos do Portal Literal. Não está sendo nada fácil lidar com as datas de entrega. Quando participamos de algo assim não dá pra esperar a inspiração bater na porta; o dia de entregar é o dia, e o exercício tem que estar pronto. Tá certo que algumas pessoas entregaram depois da data, mas eu procuro entregar sempre em dia. Essa realmente é a primeira dificuldade, mas já havia comentado sobre isso.

Outro ponto a ressaltar é algo bom e não uma dificuldade. A cada semana tem um exercício mostrando uma técnica diferente. Dá pra acreditar que a minha fichinha só caiu agora? Na primeira semana o exercício foi colocar em um único conto o máximo de clichès possíveis. O segundo exercício foi sobre o narrador onisciente neutro. O terceiro foi sobre enredo. A luta foi muito grande pra conseguir escrever este. Não conseguia achar a inspiração de jeito nenhum e pra sair esse conto eu tive que espremer o meu cérebro. Os comentários da professora estão com a letra maiúscula.

OS 300 ANOS DA FAMÍLIA ANTUNES
>
> Otelo  preparava os últimos detalhes para a comemoração. Ele acabara de chegar
> AO CLUBE no clube mais cedo para ver se tudo andava bem e se tudo havia sido
> arrumado a seu gosto. Poucas pessoas EVITA A FORMA DO GERÚNDIO, QUERIDA, estavam chegando e cumprimentando
> umas as outras alegremente, afinal eram os trezentos anos da família
> mais famosa de Rio Claro. Tios e tias de olhares iluminados o abraçaram
> em agradecimento.
> – Sua mãe ficaria orgulhosa de você. A festa está linda.
> – Você até parece um verdadeiro Antunes! – disse uma tia avó vinda de Macaé.
> Otelo
>  sorriu para ela carinhosamente. Ela aparentava ter a idade da famíla,
> exatamente trezentos anos, todos incrustados na rugas de seu rosto ou
> nas formas já amaciadas e no andar incerto.
> Andando
>  pelo salão deu de cara com uma tia mal-humorada. Ele jamais conseguira
> qualquer tipo de afinidade com ela ou com seu marido. Tinha algo em seus
>  olhares e na maneira que o tratavam que o fazia sentir um verdadeiro
> estranho. Ela pegou um dos adornos da mesa com a mão de alguém enojada
> de tudo.
> – Isso é um verdadeiro desperdício de dinheiro, Otelo – disse recolocando o adorno na mesa de qualquer jeito.
> Otelo
>  arrumou o adorno na mesa. O tio olhou para a piscina  e cumprimentou
> outro parente à distância. A velha continuava com os braços cruzados por
>  sobre a barriga lançando aquele olhar de insatisfação e reprovação para
>  ele.
> – Tia Alzira, isso é tradição. É a nossa tradição. E eu prometi a mamãe que não deixaria de cumprir mesmo quando ela se fosse.
> A velha o olhou de soslaio.
> – Onde está a carta? – ele quis saber.
> A
>  dita carta havia sido motivo de grande discórdia entre ele e Alzira. O
> último texto de sua mãe, escrito de próprio punho e infelizmente
> entregue a irmã Alzira. Maldita Alzira! A velha havia se recusado a lhe
> entregar a carta desde o dia do funeral. Mas hoje tudo ia mudar e em seu
>  discurso no meio da noite ele leria a carta da mãe. Alzira remexeu a
> bolsa e tirou de lá um envelope amarelado. Difícil imaginar que era de
> apenas um ano atrás.
> – Aí está a carta. Mas vai se arrepender disso – disse jogando o pequeno envelope por sobre a mesa.
> – Muito obrigado tia. Isso é muito importante pra mim.
> Alzira
>  e o esposo se afastaram em silêncio. Otelo os acompanhou com o olhar
> até que sumissem no meio da multidão. A essa hora o clube estava repleto
>  de Antunes por todos os lados. Havia Antunes novos e Antunes velhos.
> Antunes que dançavam e Antunes que conversavam. (GOSTEI DOS VÁRIOS ANTUNES) Ele tomou o envelope
> amarelado nas mãos e como numa prece o abriu, tirando a preciosa carta
> de dentro. Seus olhos acompanharam as palavras em uma torrente de
> emoção. A letra fraca e imponente (OPS! FRACA E IMPONENTE É UMA CONTRADIÇÃO) de sua mãe corria pela página com seu
> último fôlego de vida, expressando os últimos desejos e revelando os
> mais íntimos segredos. Otelo sentiu o coração pesado, suas mãos tremiam.
>  As pessoas passavam a sua volta e lhe davam tapinhas nas costas. As
> malditas palavras de sua mãe recusavam-se a calar.  A risada de um
> Antunes cortou o seu silêncio. Era um escárnio diabólico que invadia seu
>  corpo inerte. A carta pulsava com vida. A sua vida que se esfacelava
> entre confissões de pecados e de tramas libertinas do passado. A carta
> escorregou de suas mãos e ele nem sequer se importou. A sua volta
> centenas de pessoas riam e o cumprimentavam. Um grupo chamou o seu nome.
>  Eles tinham uma garrafa de champanhe nas mãos. O mundo girava a sua
> volta. Otelo não sabia onde estava ou quem eram aquelas pessoas.
> Estranhos. Centenas deles. A faixa no centro do salão dizia OS TREZENTOS
>  ANOS DA FAMÍLIA ANTUNES. Ele achou bonito aquilo e se lamentou por não
> ser um deles.
BONITA A HISTÓRIA. MAS ELA BEM PODERIA SER MAIS CURTA E CONCISA. O
OBJETIVO DO EXERCÍCIO ERA, DE FATO, EXERCITAR AS FORMAS DE PASSAGEM DE
TEMPO NOS TEXTOS DE VOCÊS. ERA SÓ ISSO. NO TEU EXERCÍCIO, O TEMPO
QUASE NEM PASSA. OU PASSA O MÍNIMO, O SUFICIENTE PARA O RAPAZ ESTAR NA
FESTA E RECEBER A CARTA. ME ENTENDES QUANDO FALO DE TEMPO QUE PASSA?

Bem. Eu achava que esse exercício fosse sobre enredo, mas a professora disse que era sobre a passagem do tempo. Aqui saiu tudo errado. Além da falta de inspiração eu não consegui escrever em até 35 linhas como foi sugerido pela Cíntia e aparentemente o exercício era outro. Eu não entendi nada. No anexo ela pedia um enredo, a meu ver não havia nada sobre passagem de tempo. Vejam por vocês mesmos o que está escrito no final do anexo:

“Gostaria, agora, que vocês, já com a noção de história e de enredo, me escrevessem um texto com um bom ENREDO, usando o narrador que quiserem, em no máximo 35 linhas, com o título OS 300 ANOS DA FAMÍLIA ANTUNES. Aos que quiserem tentar, sugiro escrever textos com até 400 caracteres (que são os minicontos). Certo?” – Viajei. Alguém me explica?

Bjus da Barts

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