Criando Mundos

Para os leitores que porventura estão se perguntando porquê desse texto de novo vou explicar: ao mencionar esse texto em uma resposta a um colega percebi que a página aparece como “não encontrada”. Não consigo resolver o problema internamente então a unica solução fácil era repostar. Para os que acabam de chegar: Have Fun!

Quando penso nesse tópico a primeira coisa que vem a minha mente é a Terra Média, o mundo criado por Tolkien para ambientar a sua historia. E acho que é exatamente isso que vem a mente de todos. Mas será que temos que passar anos criando e criando esse mundo para depois escrever a historia? (Ele levou 20 anos!) Será que tenho que criar tantos detalhes e/ou tantas lendas para que o mundo pareça real? Bem, vocês vão querer me matar, mas acho que não. O mundo de fantasia tem que ser consistente e tudo o mais, mas você não precisa passar o resto da sua vida construindo-o. O mundo fantástico precisa ser verossímil  sim. Não posso discordar disso. Mas o que quero que tenham em mente é que ele jamais vai ser um mundo real. Ele apenas parece real, mas na verdade não é. Como ouvi no meu podcast favorito Writing Excuses, o que temos que fazer é dar ao leitor a sensação de que o mundo tem uma história passada, temos que criar a ilusão de que essa historia passada existe e isso é bem diferente que de fato escrever  toda essa historia. Um método interessante foi dado no podcast para resolver esse problema. Veja o que será importante na sua historia, por exemplo, uma espada mágica que seu herói carrega. Se essa espada é importante, se a trama gira em torno dela, então você certamente vai precisar de saber toda a historia da espada, suas origens e como que o poder que emana dela funciona. Já no caso de um pequeno vilarejo que o herói se hospeda apenas por uma noite não é importante, então não há a necessidade de gastar paginas e mais paginas construindo a historia da origem do vilarejo e que no ano tal aconteceu isso ou aquilo ou que a ponte foi construída por fulano porque blá blá blá.

Olhando o site da wikipedia, que eu amo de paixão, descobri que existem duas formas de se lidar com a construção do seu mundo ficcional. Tem autores que preferem escrever do macro para o micro, ou seja, começam delineando os traços gerais do mundo como a geografia, clima e a historia mais global e aos poucos vão passando para detalhes cada vez menores como continentes, civilizações, nações, estados e cidades. Um mundo construido atraves desse metodo geralmente é muito bem integrado e os componentes individuais se encaixam bem.  Entretanto isso requer um trabalho considerável antes que esse ambiente possa ser usado em uma historia.

A outra estratégia é micro para  macro, ou seja, do pequeno para o grande. Aqui o escritor começa focando nas partes menores do mundo, com poucos elementos não muito consistentes mas necessarios para a historia. Aos poucos o escritor vai tecendo detalhes e adicionando fatos importantes sobre a geografia local, cultura, estrutura social, governo e politica. A maior parte dos locais importantes são descritos e suas interrelações determinadas. As areas ao redor podem ser descritas com menos detalhes, com a informação sendo mais geral. Depois, se o escritor precisar usar outras partes deste mundo então essas descrições podem ser aprofundadas. O beneficio dessa estratégia é que o escritor pode quase imediatamente utiliza-la na historia. Os detalhes pertinentes para a historia ou situação são rapidamente desenvolvidos e as informações podem ser usadas sem ter que esperar para que o restante do mundo seja detalhado. O ponto negativo dessa aproximação é que o mundo construido desta forma pode gerar inconsistencias em uma escala global.

Eu achei que essa segunda estratégia bate direitinho com o que ouvi no Writing Excuses e realmente acho que é uma forma mais produtiva de abordar a construção de mundos. Muitas vezes a  pessoa que começa a desenvolver um mundo fica tão empolgada com ele que acaba passando anos desenvolvendo a parada e nunca escreve a historia (o termo para esse comportamento em ingles é worldbuilding disease. Quem saca ingles pode achar muita coisa buscando por esse termo no Google). E isso não é interessante para nós que somos aspirantes a escritores. Temos que ter sempre em mente que  nosso objetivo é contar uma historia.  Nada pode entrar no caminho, nos impedir ou retardar esse objetivo. Lembrem-se disso.

Bjus da Barts

Um pensamento sobre “Criando Mundos

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