Como usar o “foreshadowing”

Achei um texto incrível de K.M. Weiland que traduzo livremente para vocês. O original pode ser encontrado no endereço: http://www.helpingwritersbecomeauthors.com/2013/04/how-to-use-foreshadowing.html

Na tradução literal foreshadowing significa prenúncio, prenunciar (também anunciar e prever).

Como usar foreshadowing

Foreshadowing é uma parte necessária de qualquer história bem executada. No entanto, apesar de sua prevalência e importância, é na verdade um conceito que muitos autores tem dificuldades em compreender. Se desmembrarmos o foreshadowing à sua forma mais simples, poderíamos dizer que ele prepara os leitores para o que vai acontecer mais tarde na história. À primeira vista isso pode parecer contra-intuitivo. Por que iríamos querer que os leitores soubessem o que irá acontecer mais tarde na história? Se souberem como o livro se desdobra não terão razão alguma para continuar lendo.

É claro.

Então deixe-me dizer novamente. O objetivo do foreshadowing é preparar os leitores para o que acontece adiante na história. Não é contar a eles, é prepará-los. A maior força do foreshadowing está em sua habilidade de criar uma história coesa e plausível. Se os leitores entendem que é possível que alguém na sua história seja assassinado, não ficarão completamente em choque quando o “sidekick” (assistente do herói) levar uma machadada mais a frente. Se, entretanto, você falhar em fazer um foreshadow apropriado desse evento triste, os leitores ficarão chocados. Eles acharão que você os enganou sobre a história que eles pensavam estar lendo. Pensarão que você, em essência, mentiu para eles para então enganá-los com esse grande assombro. Leitores não gostam de ser trapaceados, ou que mintam para eles, ou ser enganados. E é ai que entra o foreshadowing.

Foreshadowing, parte 1

A implantação

Podemos quebrar o foreshadowing em duas partes menores. A primeira parte é a plantar a dica. Esta é a parte onde você sugere aos leitores que alguma surpresa ou algo importante irá acontecer mais tarde no livro. Se o bandido irá sequestrar o filho do mocinho, a dica plantada deve ser o momento em que o herói percebe um cara assustador passando tempo no playground. Se sua heroína vai ser abandonada no altar, sua dica plantada pode ser a ambiguidade do noivo em relação às preparações do casamento. Dependendo do que está sendo foreshadowed a dica plantada pode ser evidente ou sutil. Ser sutil é quase sempre melhor, uma vez que você não quer revelar a reviravolta da trama. Mas, ao mesmo tempo, duas dicas tem que ser óbvias suficiente para que os leitores se lembrem delas depois. Comumente quanto mais cedo você plantar a dica de um evento, mais forte e mais coeso é o efeito que criará. Quanto maior o evento, mais importante será plantar a dica cedo. Como editor Jeff Gerke escreve em “The First 50 Pages”:

Basicamente você precisa nos fazer conhecer as regras. Se o clímax de seu livro consistirá em entrar numa máquina do tempo e fugir  em segurança, é melhor sabermos nas primeiras cinquenta páginas que no mundo de sua história a viagem no tempo é possivel.

Foreshadowing, parte 2:

A Recompensa

Uma vez que sua dica plantada estiver no lugar, tudo o que resta é trazer a recompensa para o palco. Se plantou dicas sobre sequestro, rejeição da pessoa amada, ou viagem no tempo, esta é a parte onde você deixa essas cenas importantes se desenrolarem. Enquanto fizer um bom trabalho de implantação, provavelmente nem precisará relembrar as dicas de antes. Na verdade, é provável que crie um efeito mais sólido se deixar os leitores juntar os pedaços do quebra-cabeças por sí mesmos. Mas também encontrará momentos – geralmente de eventos menores aos quais foram plantadas dicas menos óbvias-  que será benéfico fazer uma referência à dica original (EX.:”George, seu grande malvado! Agora compreendo porque você não queria escolher o vermelho ou o roxo para os  vestidos das damas de honra!”). A coisa mais importante a ser lembrada sobre a recompensa é que ela precisa sempre acontecer.

Se plantar dicas, pague a recompensa. Assim como leitores ficarão confusos com uma reviravolta que não foi prenunciada, irão também ficar frustrados por um foreshadowing que os excita e os leva a lugar algum.

Forshadow versus Telegrafar

O truque para um bom foreshadowing é preparar seus leitores num nivel subconsciente para o que virá sem deixar que eles adivinhem os detalhes da trama.Você não quer que suas dicas sejam tão óbvias a ponto de remover todo suspense. Em seu artigo “Making the Ordinary Menacing no Writer´s Digest de Outubro de 2012: 5 meios”, Halle Ephron rotula isso de “telegrafar”:

Quando insere uma dica do está por vir, olhe para ela criticamente e decida se é algo que o leitor irá passar por ela mas lembrar-se depois com um Aha!

Isso é foreshadowing. Mas se ao invés disso o leitor geme e  adivinha o que está vindo, você acabou de telegrafar. Alguns leitores espertos sem sombra de dúvida serão capazes de interpretar suas dicas, não importando o quão ardiloso você seja. Mas se puder enganar a maioria dos leitores a maioria do tempo, pode se dar por satisfeito.

Foreshadowing (prenúncio) versus presságio

Presságio –  aquele sentimento na pele de que algo horrivel irá acontecer –  pode ser uma faceta útil do foreshadowing. Sozinho o presságio não é específico suficiente para ser foreshadowing. Diferente das dicas plantadas para o foreshadowing, o presságio é só uma aura ambígua de suspense. Jordan E. Rosenfeld descreve em “Make a Scene”:

Foreshadowing… dá a dica para eventos reais da trama que estão para acontecer, mas o presságio puramente define o tom.

Ele eleva o sentimento de tensão numa cena mas não necessariamente indica que algo ruim irá realmente acontecer. O presságio é útil para definir as emoções dos leitores lá no limite sem sem dar nenhuma dica evidente. Mas quando falamos de plantar dicas de eventos importantes, sempre reforçe seu presságio plantando algumas dicas específicas. A maioria dos autores tem um entendimento do foreshadowing tão intrínseco que eles plantam a dica e pagam a recompensa mesmo sem se dar conta de que é isso que estão fazendo. Mas, quanto melhor entender a técnica, melhor irá manejá-la. Usando essa abordagem simples para o foreshadoing, poderá fortalecer sua história e a experiência de seus leitores.

19 pensamentos sobre “Como usar o “foreshadowing”

  1. “A maioria dos autores tem um entendimento do foreshadowing tão intrínseco que eles plantam a dica e pagam a recompensa mesmo sem se dar conta de que é isso que estão fazendo.”

    Sim, pode ter mesmo razão quanto a.isso. Gostei da matéria mesmo. Obrigado, me fez lembrar, não sei porque, muita coisa no Mundo de Avalon.

    • Viiiiiincent! Quanto tempo! Que bom que gostou. Estou lendo seu livro e tenho inúmeras perguntas, mas vou deixa-las para um outro momento porque agora estou na rua. Não some não, hein. Você me deixa doida com as suas estórias. kkkkkk

      • rsrs.

        Aguardarei, com impaciência (rs), o seu futuro comunicado quanto ao livro.

        Até a próxima então (e bem vida de volta ao seu site!).

      • Seja paciente, o que tá rolando aqui é um review total, do tipo página por página, e isso demora mesmo. Além disso, não dá pra fazer esse tipo de coisa aqui nos comentários. Acho que vou fazer por email e enviar a você. O que acha?

    • Com certeza serei paciente! Aliás, você seria a primeira pessoa que vai me passar em detalhes minuciosos o que achou do livro (espero que esteja gostando dele!). E pode sim me passar por email. Aguardarei ansiosamente por ele!

      Obrigado!

      • Ahhh Vince, você terá uma leitura crítica de primeira. Pode aguardar tranquilo. Agora me diz, esse projeto terá quantos volumes mesmo? Me recordo que havia dito que esse não é um livro único. É uma trilogia?

    • Isso mesmo, será uma trilogia sim. Dois terços do volume dois já está escrita, ela englobará duas partes, Mundo de Avalon (novamente, mas muito melhor que o anterior em adrenalina) e Phanadia (a luta dos dez illuminati e da Seraphina).

      Como minha escrita evoluiu para um novo nível, e acredito que você já tenha notado isso, o volume dois terá revelações que, se for analisar, poderia ter sido uma série de dez volumes, me entende? (a obra seria 5 volumes, mas mudei de ideia quando a minha visão de escrita tornou-se concisa, e mais ainda interessante).

      Sem dizer que o ritmo, segundo o autor Nelson Magrini que fizera a revisão (sim, ele já fez na primeira parte do volume 2), está num ritmo muito melhor do anterior (ele tinha feito também o volume 1 na época).

      Tive uma entrevista com o Ademir Pascale neste mês, veja por aqui: http://www.cranik.com/entrevista308.html

      Pretendo agilizar também o processo de lançar as suas continuações o quanto antes. Ah, estarei na bienal deste ano corrente e alguns eventos que irei participar como um em Campo Grande neste mês. Faço tudo isso porque acredito ainda nesse livro, nunca será por dinheiro, mas pela história que criei e tenho o dever de terminá-la.

      Até.

      • Não, phanadia é uma cidade que sobrevoa Avalon. Uma cidade tecnológica e tal. Continuará a trama em Avalon até mudar todo o clima nesta cidade.

        Na época tinha Escrito o passado de Phanadia, mas retirei.na Internet e deixarei ele agora no volume 2 (será um passado de menos de 40 páginas)

      • Entendi.
        Agora me diz, com 15 palavras somente, sobre o que é seu livro “Mundo de Avalon”. Não pode passar de 15 palavras.

      • O que posso dizer sobre o livro Mundo de Avalon? Não é tão simples em dizer isso, o que posso dizer é que…

        “Aqui é recuperar o que eles perderam de maior valor, pois Deus não mais existe.”

        Ps: Só lembrar que TODOS, até mesma a Tábula e os Divinos, estão presos no mundo que Seraphina criou – ela arquitetou tudo, por isto que o mal é conceitual, regras estabelecidas, é relativo (por isto que Leon quer mudar conceitos). Lembra da frase “Quem é o Anjo e o Demónio e finalmente o Manipulador”, compreende?

      • Vince, eu disse 15 palavras e não
        15 linhas! Senão não dá pra captar a essência do livro. E estou só falando do livro 1. Estou formando minha visão sobre sua estória, mas gostaria de saber qual é a sua. Gostaria de saber como você enxerga O Mundo de Avalon (em 15 palavras) e é só!

      • Isso mesmo, porém é sobre os 3 casais no volume 1 que são os protagonistas desta série com o Leório também (e o grupo do Lenard do volume 2 – o personagem mais interessante que já criei).

        Leon tem um fato que desencadeou tudo, desde a criação de Avalon, mas ele sabe e ao mesmo tempo não sabe (você deverá ler os momentos finais do primeiro volume que está com você para entender – não falo de Marduk).

        Em outras palavras, cada um deles tentam viver na melhor maneira possível, mas eles começarão a notar se o mundo onde eles vivem vale a pena viver (como prisioneiros ao serem gerenciados, ponto de vistas de uns, ou continuar vivendo, quer dizer, ser ignorante – lembra do diálogo de Justin, “vivemos numa caixa”?).

      • Para se te uma melhor noção, se cada um deles perderam algo (e perderão no futuro), alguns vão querer seguir o ponto de vista de “liberdade”, e destruir o mundo onde eles vivem que é Avalon.

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