Estruturando as cenas de sua história, Pt2

Olá pesoal. Demorei um pouco a postar pois tive algumas dificuldades na tradução. Esta é a segunda parte da série sobre como estruturar as cenas do seu livro e foi traduzido livremente por mim. Se tiverem qualquer dúvida podem verificar o texto original em inglês no link ao final da página. Divirtam-se.
(Não deixe de ler a primeira parte dessa série em https://fenixresurrected.wordpress.com/2015/02/06/aprenda-a-estruturar-suas-cenas/)

Estruturando as cenas de sua história, Pt2:

As três partes da Cena

Como a própria história, cada Cena segue uma estrutura específica. No fundo, o arco da Cena é o mesmo da estrutura maior da história exibido ao longo do curso do livro:

1.Inicio = Gancho

2.Meio = Desenvolvimento

3.Fim = Clímax

Quando olhamos para o arco dessa forma, ele nos dá uma espécie de sentido fundamental/básico. Mas não nos oferece nenhum conselho específico em como criar esses elementos dentro da Cena. Então vamos esmiúçar isso mais ainda.Tanto a cena quanto a sequência seguem um arco fundamental de três partes, mas os elementos são significativamente diferentes em cada uma das partes. Hoje vamos dar uma olhada nos três elementos fundamentais da cena. Conforme prosseguimos com a série, olharemos algumas variações dessas três partes do arco, mas, em termos gerais, suas cenas terão que conter o seguinte:

Parte Nº 1:Objetivo

É onde tudo começa. O que seu personagem quer em larga escala é o que guia toda a história. O que ele quer em pequena escala guia sua cena. Se ele não quer nada, então sua história não tem ímpeto.

Sem objetivo = sem história

O que seu personagem quer em qualquer cena será um reflexo minúsculo do objetivo geral na história e/ou um passo na direção de alcançar tal objetivo. Por exemplo, se o objetivo geral do personagem é escapar de um campo de prisioneiros, o objetivo da cena pode ser encontrar uma pá, subornar um guarda para que deixe seu posto ou convencer um colega de juntar se a ele. Quando souber o objetivo do personagem em uma certa cena, você saberá o objetivo da cena.

Sem objetivo = sem propósito

Estabeleça o objetivo do personagem o mais cedo possível na cena.Leitores precisam compreender o que está em jogo.O que o personagem está tentando realizar. Porquê ele está tentando realizar isso? O que acontecerá se ele falhar?

Parte Nº 2:Conflito

Uma vez que seu objetivo esteja no lugar sua próxima responsabilidade será criar um obstáculo que impedirá o personagem de alcançar facilmente o resultado que almeja. “Sem conflito, sem história” pode ser dito mais precisamente como “sem conflito, sem cena“. Conflito é o que impede o personagem de alcançar seu objetivo – e por conseguinte o que impede a história de acabar muito rapidamente. Conflito é o que compõe a seção do meio/desenvolvimento do arco de cena. O grosso de sua cena irá provavelmente ser tomada pelo conflito. Em nosso exemplo do campo de prisioneiros, o conflito geral da história pode ser ser mais esperto e escapar do oficial cruel que comanda o campo. Mas com relação à cena, este conflito se manifesta de formas como ser pego roubando uma pá, ser chantageado pelo guarda que foi subornado ou discutir com o colega que está inseguro sobre a fuga. Seja qual for o conflito da cena, ele deve surgir naturalmente como um obstáculo para o objetivo. Uma briga aleatória com o valentão do campo pode oferecer conflito mas se não põe em perigo a habilidade do protagonista de alcançar seu objetivo então não é o tipo de conflito que você está buscando. Conflito vem de diversas formas – qualquer coisa desde uma briga com facas até um colapso por conta de um cartão de crédito perdido. Não tem que ocorrer entre duas pessoas. Não tem nem que ser uma briga ou discussão no sentido tradicional das coisas. Tudo que importa é se atrapalha o objetivo da cena de ser alcançado.

Parte Nº 3: Desastre (desfecho)

Enfim, o conflito tem a obrigação de ser resolvido decididamente – e provavelmente sem beneficiar o protagonista. O desfecho da cena é o acúmulo para a próxima Cena. Se tudo estiver muito bem amarrado não haverá nenhum próximo passo lógico e a história acabará. Alguns autores não gostam do rótulo “desastre” para o desfecho da cena pois parece indicar que algo terrível tem que acontecer ao final de cada cena. Se você está escrevendo um thriller, então está tudo bem, mas se sua história for um romance ou uma saga literária quieta? Dificilmente poderá ter gente tomando tiros ou batendo seus carros ao final de cada cena. Isso é bem verdade. É também verdade que é quase impossível terminar cada cena com um desastre total. As vezes para a história andar o conflito simplesmente tem que ser resolvido favorecendo o protagonista. (falaremos mais sobre isso no post “Variações da Cena”)

Mesmo com tudo isso em mente ainda prefiro a ênfase no desastre, se por nenhuma outra razão além de ser um lembrete contínuo de que muito está em jogo e o protagonista está desequilibrado. Como tal, desastres podem vir de várias maneiras. Tiroteios e batidas de carro estão no lado extremo da balança. Do lado mais manso encontramos desfechos que não são favoráveis como: ser feito de otário ao fazer uma má aposta, um pneu furado ao se dirigir a uma entrevista importante ou mesmo deixar aquela caixa de bombons derreter a ponto de virar uma bagunça pegajosa. O desastre também deve desenvolver-se naturalmente a partir do conflito que o criou. Se seu herói toma um fora de sua namorada como resultado de uma briga, isso é um desastre natural. Se ele discute com ela e depois é preso por estar andando imprudentemente na rua (“jaywalking” –  isso é crime em países como Estados Unidos), este provavelmente não será um desfecho muito coerente. Ou você precisa mudar o desastre para se ajustar ao objetivo e ao conflito, ou mudar o objetivo e o conflito para que eles corretamente estabeleçam a prisão como desastre. Nossas cenas no campo de prisioneiros podem acabar desastrosamente com o ladrão de pás não achando uma pá, o guarda subornado ameaçando jogar nosso herói na solitária ou nosso colega assustado lançando acusações de imprudência interesseira. O propósito em cada desastre é que o herói se acha em apuros – o que nos levará direto para a sequência.

A Cena acontecendo

Como exemplo desses três elementos da cena, considere o terceiro capítulo de Orgulho e preconceito de Jane Austen:

Objetivo: Dançar no baile e chamar atenção dos recém chegados de Londres.

Conflito: Há mais mulheres do que homens, então não há parceiros suficientes para todas.

Desastre: Darcy rejeita Elizabeth como parceira.

Então tá ai! Uma cena completa do início ao fim. Uma vez que compreenda a mecânica do mais importante componente de toda história, poderá intencionalmente construir cenas fortes que não teráo só peso próprio mas que irão dar suporte a história e criarão uma trama que flui logicamente e poderosamente do inicio ao fim.

*Nesta série Cena com C maiúsculo se refere a cena em geral (que pode incluir em sua definição a sequência). Usarei C minúsculo e itálicos para cena e sequência para me referir aos dois tipos de Cena.

Acessado em 02/02/2015 em http://www.helpingwritersbecomeauthors.com/2012/12/structuring-your-storys-scenes-pt-2.html

Achei um link com o livro da Jane Austen pra quem quiser checar:  http://www.miniweb.com.br/Literatura/Artigos/livros/Jane_Austen_Orgulho_Preconceito.pdf

3 pensamentos sobre “Estruturando as cenas de sua história, Pt2

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