Fenix Returns! (again)


Esta semana resolvi voltar a escrever para o blog, rever meus projetos abandonados à tempos e quem sabe conseguir realizar alguma coisa. Muitas coisas aconteceram nos ultimos anos – umas boas, outras nem tanto assim –  mas a mais importante delas é que consegui ingressar na Academia de Letras e Artes da Serra – ALEAS/ES. (Uhul!).

12517_302099223296293_1670906255698702169_nFotos da cerimônia de posse. Ao meu lado o digníssimo presidente da Academia Clério José Borges e a me entregar o diploma está a poetisa Maria do Rosário Silva Santos.

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Foto da Posse com todos acadêmicos, veteranos e novatos. Aqui estou posicionada na segunda fila à direita, abraçada a uma senhora loira.

Tenho desde então me dedicado então ao lado literário da escrita, participei de alguns concursos de poesia e consegui inclusive algumas premiações.

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Foto do Congresso Brasileiro de Poetas e Trovadores, promovido pelo Cube dos Trovadores Capixabas – CTC/ES.

Neste concurso consegui três colocações:

9º lugar – trova (tema RAZÃO):

“Se você ainda acredita

Que não sofre um coração,

Venha testar e reflita.

Você vai me dar RAZÃO”

10º lugar – trova (tema NASCENTE):

“Preserve a mãe natureza

Com uma atitude coerente:

Agindo com sutileza

Reflorestando a NASCENTE”

5º lugar – poesia (tema RAZÃO):

“Panem et circenses”

Num Brasil tão insensato

Me vejo a falar de razão.

Onde ninguém liga para o fato,

E sempre buscam uma forte emoção.

Querem clichés baratos,

Gostam de frases de efeito

E sonham com a vida de um cafetão.

E nesse mar de histeria dos inocentes,

Onde massas se movimentam indigentes,

A razão amortece-se num contínuo “panem et circenses”,

De imagens indecentes,

E falas estridentes,

Em meio a um comercial e outro.

Isso tudo é muito divertido, gente. Estou preparando um livro de poesia e outro infantil o qual eu mesma fiz o roteiro, desenhei, e estou agora fazendo a arte final pra colorir em breve. Ambos serão publicados em breve. Estou sempre buscando manter essa atitude de que o aprendizado não para nunca e de que apenas iniciei minha jornada de escritora. Poesia é muito diferente de prosa. São técnicas diferentes, o processo criativo é diferente. Mas uma ajuda a outra sem sombra de dúvidas. O objetivo o qual iniciei esse blog foi porque queria escrever um livro de ficção em prosa. Então a luta continua. Como muitos autores consagrados já colocaram: escrever é um parto! Podem pesquisar, Tomas Mann, William Faulkner e Douglas Adams, e muitos outros relataram a dificuldade em preencher a bendita página em branco. Já que o objetivo não foi alcançado este blog continua válido. A idéia é garimpar a internet em busca de ferramentas que me ajudem a atingir este objetivo. Estou recomeçando devagar. Estou pensando em mudar o layout e tals. Parece também que uns posts andaram sumindo (eu clico neles e dá pagina não encontrada). Ainda não desvendei o mistério por trás desse evento. Se encontrarem algum link quebrado me avisem, ok? Estou terminando de traduzir um texto muito interessante que garimpei na web sobre “Foreshadowing” e nesse mesmo site tem uma ótima série sobre como estruturar suas cenas que vou me dedicar em seguida. Se alguém quiser que eu aborde algum assunto específico não deixem de mencionar isso nos comentários.

Um abraço à todos e VQV!!!

Procrastinação


Eu preciso muito muito de falar sobre procrastinar. Para quem não sabe procrastinar é ficar adiando alguma coisa, no meu caso escrever. Eu disse que ia voltar com o blog, mas não consigo, é hoje, é amanhã, todo dia “acontece” alguma coisa e eu adio o post que estava planejando. Ai percebi que não é só em relação ao blog que isso vem ocorrendo, mas também com o livro que não acabo nunca e também com as tirinhas que sempre deixo pra amanhã pra postar e como minha avó diz “o amanhã é eterno”. Então decidi escrever sobre esse mal que não só me pegou de jeito, mas também acomete vários escritores como pude constatar vasculhando a web. Achei um texto muito bom com umas dicas que a gente tem mesmo que internalizar se quiser chegar a algum lugar. o que mais me chamou atenção – acho que é porquê a carapuça serviu – foi assumir responsabilidade pelo meu sucesso (ou fracasso), ou seja, ser proativo. eu preciso assumir o controle da minha vida profissional – de escritora. Não sei exatamente como vou fazer isso. De tudo o que estou lendo a conclusão que chego é que a gente tem que ser muito regrado mesmo. Ter metas, trabalhar diligentemente, TODOS os dias escrevendo uma determinada quantidade de palavras (e não sair da cadeira enquanto não terminar a cota). Meu amigo Renato Gondim conseguiu isso com um coach. Ele já terminou o livro dele e o meu tá inacabado. E ele já tem editora interessada em publicar. A essa altura talvez já esteja até tudo acertado com alguma editora, tem tempo que não converso com ele sobre isso. Enfim, essa é a diferença de alguém dedicado e regrado pra alguém que adora procrastinar – no caso EU! No site ficção em tópicos achei esse link pra consultoria também:  http://ficcao.emtopicos.com/landing/desenvolver-uma-ideia/  e nem é muito caro. Acho que é uma boa ideia pra quem tá com 21.138 palavras de pura embolação e não sabe pra onde ir. Bem, quem não quer pagar e tem alguma noção de inglês tem a página do Randy Ingermanson que ensina o método do Snowflake que mostra o step-by-step de como elaborar uma história. O que vou fazer é o seguinte: vou reler o meu manuscrito e com o método do Randy vou organizar a história, daí acho que vou ter algo mais coerente então vou procurar a consultoria. Vou fazer assim porquê o que essa consultoria do link que coloquei ai faz basicamente a mesma coisa que o método Snowflake. Se não conseguir fazer sozinha nas próximas semanas eu desisto e pago a consultoria. Afinal tem anos que estou emperrada nessa coisa. Esse livro tem que sair! Gente, não sei quantos de vocês estão na mesma situação que eu, mas não desistam, a gente ainda escreve um livro! Bjus Barts

Criando Mundos


Para os leitores que porventura estão se perguntando porquê desse texto de novo vou explicar: ao mencionar esse texto em uma resposta a um colega percebi que a página aparece como “não encontrada”. Não consigo resolver o problema internamente então a unica solução fácil era repostar. Para os que acabam de chegar: Have Fun!

Quando penso nesse tópico a primeira coisa que vem a minha mente é a Terra Média, o mundo criado por Tolkien para ambientar a sua historia. E acho que é exatamente isso que vem a mente de todos. Mas será que temos que passar anos criando e criando esse mundo para depois escrever a historia? (Ele levou 20 anos!) Será que tenho que criar tantos detalhes e/ou tantas lendas para que o mundo pareça real? Bem, vocês vão querer me matar, mas acho que não. O mundo de fantasia tem que ser consistente e tudo o mais, mas você não precisa passar o resto da sua vida construindo-o. O mundo fantástico precisa ser verossímil  sim. Não posso discordar disso. Mas o que quero que tenham em mente é que ele jamais vai ser um mundo real. Ele apenas parece real, mas na verdade não é. Como ouvi no meu podcast favorito Writing Excuses, o que temos que fazer é dar ao leitor a sensação de que o mundo tem uma história passada, temos que criar a ilusão de que essa historia passada existe e isso é bem diferente que de fato escrever  toda essa historia. Um método interessante foi dado no podcast para resolver esse problema. Veja o que será importante na sua historia, por exemplo, uma espada mágica que seu herói carrega. Se essa espada é importante, se a trama gira em torno dela, então você certamente vai precisar de saber toda a historia da espada, suas origens e como que o poder que emana dela funciona. Já no caso de um pequeno vilarejo que o herói se hospeda apenas por uma noite não é importante, então não há a necessidade de gastar paginas e mais paginas construindo a historia da origem do vilarejo e que no ano tal aconteceu isso ou aquilo ou que a ponte foi construída por fulano porque blá blá blá.

Olhando o site da wikipedia, que eu amo de paixão, descobri que existem duas formas de se lidar com a construção do seu mundo ficcional. Tem autores que preferem escrever do macro para o micro, ou seja, começam delineando os traços gerais do mundo como a geografia, clima e a historia mais global e aos poucos vão passando para detalhes cada vez menores como continentes, civilizações, nações, estados e cidades. Um mundo construido atraves desse metodo geralmente é muito bem integrado e os componentes individuais se encaixam bem.  Entretanto isso requer um trabalho considerável antes que esse ambiente possa ser usado em uma historia.

A outra estratégia é micro para  macro, ou seja, do pequeno para o grande. Aqui o escritor começa focando nas partes menores do mundo, com poucos elementos não muito consistentes mas necessarios para a historia. Aos poucos o escritor vai tecendo detalhes e adicionando fatos importantes sobre a geografia local, cultura, estrutura social, governo e politica. A maior parte dos locais importantes são descritos e suas interrelações determinadas. As areas ao redor podem ser descritas com menos detalhes, com a informação sendo mais geral. Depois, se o escritor precisar usar outras partes deste mundo então essas descrições podem ser aprofundadas. O beneficio dessa estratégia é que o escritor pode quase imediatamente utiliza-la na historia. Os detalhes pertinentes para a historia ou situação são rapidamente desenvolvidos e as informações podem ser usadas sem ter que esperar para que o restante do mundo seja detalhado. O ponto negativo dessa aproximação é que o mundo construido desta forma pode gerar inconsistencias em uma escala global.

Eu achei que essa segunda estratégia bate direitinho com o que ouvi no Writing Excuses e realmente acho que é uma forma mais produtiva de abordar a construção de mundos. Muitas vezes a  pessoa que começa a desenvolver um mundo fica tão empolgada com ele que acaba passando anos desenvolvendo a parada e nunca escreve a historia (o termo para esse comportamento em ingles é worldbuilding disease. Quem saca ingles pode achar muita coisa buscando por esse termo no Google). E isso não é interessante para nós que somos aspirantes a escritores. Temos que ter sempre em mente que  nosso objetivo é contar uma historia.  Nada pode entrar no caminho, nos impedir ou retardar esse objetivo. Lembrem-se disso.

Bjus da Barts

Mais sobre subenredos


 Tô voltando de onde parei gente. Consegui terminar a história que estava trabalhando mas o ato II não foi nada fácil. Escrevi o roteiro todo, mas desenhar é que são elas! Mais trabalhoso ainda é a arte final. Esse trabalho parece que não tem fim. Preciso mesmo é de um texto motivacional, algo como “como não desistir” ou “como manter o foco”, sei lá. Agora, enquanto termino de desenhar essa primeira história estou trabalhando numa segunda e me vejo novamente nos pegas com esse ato II. Dizem que no segundo ato é que é hora da gente desenvolver os subenredos então lá vou eu de novo fuçar esse tópico. Vejam que artigo legal que encontrei garimpando na net:

Trabalhando com Subenredos- Criando o suporte para a sua história-inicio

Sabemos que o enredo principal de uma história envolve o desejo do protagonista em alcançar um objetivo central para a sua vida. Porém, quase nenhuma obra narrativa se sustenta somente com cenas criadas exclusivamente para o alcance desse objetivo primordial. Para expandir e enriquecer a obra, torna-se necessária a criação de subenredos ( subplots ), que fazem o mundo ficcional criado pelo autor mais realista e humano.

Os subenredos são enredos menores que funcionam como suporte da história, e criam a possibilidade de conhecermos mais sobre a vida do protagonista, além de ser uma das melhores formas de desenvolvermos e criarmos personagens secundários, dando-lhes vida e personalidade. Os subenredos mais comuns são os românticos, os profissionais (relacionados ao trabalho), os familiares, e os obscuros (algo misterioso do passado).

O objetivo principal do Super-Homem é manter a paz na Terra, mas várias vezes somos atraídos pela sua relação com Louis Lane, que forma o subenredo romântico da história. O Homem-Aranha também tem subenredos interessantes, como seu trabalho como fotógrafo no Clarim Diário (subenredo profissional), o que lhe dá uma fonte de renda mas ao mesmo tempo alimenta as propagandas contra sua própria pessoa, e também há um delicado subenredo familiar, representado pela sua frágil tia. O que seria do Senhor dos Anéis sem os seus incontáveis subenredos? Será que apenas a jornada de Frodo sustentaria a história? Lógico que não.

Em obras fechadas como livros e filmes, os subenredos geralmente têm um forte vínculo com o enredo central, e acabam inclusive influenciando o seu final. Vamos usar como exemplo o clássico filme de gangster Scarface de 1932, dirigido por Howard Hawks e que foi refilmado com menos elegância por Brian de Palma em 1983. Scarface tem um roteiro simples e direto, tornando fácil sua análise. É um enredo de ascensão e queda, onde o gangster Tony Camonte (Tony Montana na refilmagem) escala os degraus do poder do crime organizado com uma ambição cega. Dois subenredos em Scarface são utilizados de forma cristalina, se relacionando com a trama central e ajudando na construção dos personagens. O primeiro é a relação do protagonista com sua irmã, baseada em um ciúme doentio. O início do colapso psicológico de Tony ocorre quando ele descobre que seu melhor amigo está tendo um caso com ela. O outro subenredo é o interesse romântico de Tony na mulher do seu chefe, o que revela muito sobre o seu caráter. Bastou a sublime construção desses dois subenredos, além da idéia central, para o filme funcionar.

Muitos autores sentem grandes dificuldades de escrita na hora de criar o meio da obra, o Ato II, e muitas vezes acabam tornando a história arrastada por falta de assuntos interessantes. É nesse momento que os subenredos encontram grande utilidade, tendo a função de manter o interesse da audiência. Porém, o autor deve acrescentar os subenredos de maneira cautelosa, evitando também os excessos.

Uma maneira interessante de aplicarmos com eficácia os subenredos é criarmos para cada subenredo uma estrutura própria de início, meio e fim, sabendo exatamente em qual momento ele será introduzido, como ele será desenvolvido, e como será sua conclusão. A regra básica é a de que todo subenredo deve estar satisfatoriamente concluído ao fim de cada obra. Nunca cometa o gravíssimo erro de iniciar um subenredo e encerrar uma história sem pelo menos dar uma noção de resolução a ele.

É válido lembrarmos que existem alguns casos raros onde uma obra não possui um enredo central claramente definido, e sim vários enredos que podem ou não se entrelaçar no final. O já clássico Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994) é um claro exemplo desse tipo de roteiro. Alguns teóricos costumam dizer que nesse caso não temos subenredos dependentes de um enredo principal e sim multienredos com a mesma importância.

1 – Subenredos em histórias seriadas

Telenovelas, revistas mensais de histórias em quadrinhos e séries de televisão são fortemente baseadas em continuações, e precisam ter um olhar um pouco diferente em relação aos subenredos. Nesse tipo de obra, mais aberta, há espaço para subenredos que não estejam fortemente ligados ao enredo central, e permitem uma maior quantidade de personagens e tramas.

Um subenredo de uma história seriada, após ser introduzido, precisa sempre marcar presença no roteiro, caso contrário a audiência pode acabar se esquecendo dele. Um personagem exclusivo de um subenredo não pode ficar muitos capítulos sem aparecer.

Uma técnica muito utilizada em relação aos subenredos de obras abertas, como seriados e histórias em quadrinhos, é a escada de importância, chamada por Denny O´Neil de Paradigma Levitz ( Levitz Paradigm ). Vamos supor que tenhamos em algum momento da série três subenredos acontecendo, os subenredos 1, 2 e 3, classificados por ordem numérica de importância. Logo, o subenredo 1 tem mais tempo no roteiro. Quando o autor decide finalizar o subenredo 1, há então uma escalada na história. O subenredo 2 passa a ser o novo 1, mais importante, o subenredo 3 vira o 2, e o autor deve criar um novo subenredo, inicialmente de menor importância, para ocupar o posto 3. Assim, sempre haverá subenredos, e cada um terá sua importância no desenrolar dos acontecimentos.

Conclusão

Tenha muita atenção ao criar os subenredos de sua obra. Nunca se esqueça que toda cena, todo personagem, todo e qualquer aspecto narrativo deve contribuir para manter o interesse do público e fazer a história evoluir. Capriche nos conflitos criados pelos seus subenredos pois eles podem ter grande impacto na obra, mas cuidado para eles não ofuscarem o enredo principal! Além disso, é muito comum personagens secundários presentes em um subenredo fazerem sucesso e acabarem se tornando protagonistas de outros trabalhos.

Exercício proposto:

– Pegue uma telenovela, um seriado de TV, um filme ou uma história em quadrinhos e identifique os subenredos envolvidos e o seu tipo (romântico, familiar, profissional, misterioso, etc).

O que gostei nesse artigo foi que ele trata especificamente dos subenredos nos quadrinhos, que é a minha área. Isso foi muito legal. Outra coisa que me chamou atenção foi o tal Paradigma de Levitz, onde os subenredos são classificados por ordem de importância e logo que o primeiro se finaliza o segundo toma o seu lugar e todos que vem abaixo sobem na classificação. Estou lendo a série “Guerra dos Tronos” de George R.R. Martin e reparei que é exatamente essa a técnica que ele usa. Nao posso falar muito senão acabo entregando a história e alguns de vocês vão acabar me matando. Mas ele vai matando uns personagens essenciais, como ele fez no livro 1 e fiquei estarrecida (matou o personagem do Sean Bean). Mas no lugar dele logo surgiram personagens com novas tramas interessantíssimas e já estou no livro quatro e nem sinto falta do personagem que ele fazia – ele era o Ned Stark. Nunca pensei que fosse tão facil matar um personagem carismatico e chave na trama sem prejudicar a historia profundamente. Agora aprendi como os mestres fazem. O negócio é colocar isso em prática, ainda bem que nao estou escrevendo uma trilogia. Ufa! Este texto sobre subenredos pode ser encontrado e lido na íntegra no endereço http://www.tvwin.com.br/filmes/curso.html  Espero que tenham curtido. Bjus Barts.

Subenredo – O que é isso?


Atualmente estou trabalhando/desenhando um subenredo pra historia do livro de quadrinhos que estou tentando terminar. Eu comecei a desenhar essa história sem muita preocupação, eu fazia tudo de uma forma muito descontraída e desordenada, o que é muito satisfatório pra mim. Mas com o tempo muitas ideias foram aparecendo na minha mente e a historia começou a tomar um rumo mais sólido – e acabou que o Rodrigues, o laranjão, tomou conta da historia! Até ai tudo bem. Escrevi e desenhei tudo e já tava indo pro meu final grandioso quando resolvi reler todas as tiras na sequencia certa e percebi que faltava alguma coisa. Essa coisa que faltava era mais informação sobre a Ciça – a personagem principal, isto é, antes do Rodrigues ter usurpado a posição de personagem principal dela! Agora ela é ex-personagem principal – foi rebaixada pelo próprio marido. Bem, me sentindo muito mal (isso se chama culpa!) por ter permitido que o Rodrigues fizesse isso com ela, resolvi escrever um subenredo no qual eu desenvolvo mais esse personagem lunático que é a Ciça. Então eu fui fuçar a web em busca de artigos que falassem sobre o assunto e encontrei esse do Sandro Massarani no http://www.massarani.com.br muito legal e esclarecedor. Espero que gostem.
Bjus da Barts!

Trabalhando com Subenredos

Criando o suporte para a sua história

Por Sandro Massarani

Sabemos que o enredo principal de uma história envolve o desejo do protagonista em alcançar um objetivo central para a sua vida. Porém, quase nenhuma obra narrativa se sustenta somente com cenas criadas exclusivamente para o alcance desse objetivo primordial. Para expandir e enriquecer a obra, torna-se necessária a criação de subenredos (subplots), que fazem o mundo ficcional criado pelo autor mais realista e humano.

Os subenredos são enredos menores que funcionam como suporte da história, e criam a possibilidade de conhecermos mais sobre a vida do protagonista, além de ser uma das melhores formas de desenvolvermos e criarmos personagens secundários, dando-lhes vida e personalidade. Os subenredos mais comuns são os românticos, os profissionais (relacionados ao trabalho), os familiares, e os obscuros (algo misterioso do passado).

O objetivo principal do Super-Homem é manter a paz na Terra, mas várias vezes somos atraídos pela sua relação com Louis Lane, que forma o subenredo romântico da história. O Homem-Aranha também tem subenredos interessantes, como seu trabalho como fotógrafo no Clarim Diário (subenredo profissional), o que lhe dá uma fonte de renda mas ao mesmo tempo alimenta as propagandas contra sua própria pessoa, e também há um delicado subenredo familiar, representado pela sua frágil tia. O que seria do Senhor dos Anéis sem os seus incontáveis subenredos? Será que apenas a jornada de Frodo sustentaria a história? Lógico que não.

Em obras fechadas como livros e filmes, os subenredos geralmente têm um forte vínculo com o enredo central, e acabam inclusive influenciando o seu final. Vamos usar como exemplo o clássico filme de gangster Scarface de 1932, dirigido por Howard Hawks e que foi refilmado com menos elegância por Brian de Palma em 1983. Scarface tem um roteiro simples e direto, tornando fácil sua análise. É um enredo de ascensão e queda, onde o gangster Tony Camonte (Tony Montana na refilmagem) escala os degraus do poder do crime organizado com uma ambição cega. Dois subenredos em Scarface são utilizados de forma cristalina, se relacionando com a trama central e ajudando na construção dos personagens. O primeiro é a relação do protagonista com sua irmã, baseada em um ciúme doentio. O início do colapso psicológico de Tony ocorre quando ele descobre que seu melhor amigo está tendo um caso com ela. O outro subenredo é o interesse romântico de Tony na mulher do seu chefe, o que revela muito sobre o seu caráter. Bastou a sublime construção desses dois subenredos, além da idéia central, para o filme funcionar.

Muitos autores sentem grandes dificuldades de escrita na hora de criar o meio da obra, o Ato II, e muitas vezes acabam tornando a história arrastada por falta de assuntos interessantes. É nesse momento que os subenredos encontram grande utilidade, tendo a função de manter o interesse da audiência. Porém, o autor deve acrescentar os subenredos de maneira cautelosa, evitando também os excessos.

Uma maneira interessante de aplicarmos com eficácia os subenredos é criarmos para cada subenredo uma estrutura própria de início, meio e fim, sabendo exatamente em qual momento ele será introduzido, como ele será desenvolvido, e como será sua conclusão. A regra básica é a de que todo subenredo deve estar satisfatoriamente concluído ao fim de cada obra. Nunca cometa o gravíssimo erro de iniciar um subenredo e encerrar uma história sem pelo menos dar uma noção de resolução a ele.

É válido lembrarmos que existem alguns casos raros onde uma obra não possui um enredo central claramente definido, e sim vários enredos que podem ou não se entrelaçar no final. O já clássico Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994) é um claro exemplo desse tipo de roteiro. Alguns teóricos costumam dizer que nesse caso não temos subenredos dependentes de um enredo principal e sim multienredos com a mesma importância.

Subenredos em histórias seriadas

Telenovelas, revistas mensais de histórias em quadrinhos e séries de televisão são fortemente baseadas em continuações, e precisam ter um olhar um pouco diferente em relação aos subenredos. Nesse tipo de obra, mais aberta, há espaço para subenredos que não estejam fortemente ligados ao enredo central, e permitem uma maior quantidade de personagens e tramas.

Um subenredo de uma história seriada, após ser introduzido, precisa sempre marcar presença no roteiro, caso contrário a audiência pode acabar se esquecendo dele. Um personagem exclusivo de um subenredo não pode ficar muitos capítulos sem aparecer.

Uma técnica muito utilizada em relação aos subenredos de obras abertas, como seriados e histórias em quadrinhos, é a escada de importância, chamada por Denny O´Neil de Paradigma Levitz (Levitz Paradigm). Vamos supor que tenhamos em algum momento da série três subenredos acontecendo, os subenredos 1, 2 e 3, classificados por ordem numérica de importância. Logo, o subenredo 1 tem mais tempo no roteiro. Quando o autor decide finalizar o subenredo 1, há então uma escalada na história. O subenredo 2 passa a ser o novo 1, mais importante, o subenredo 3 vira o 2, e o autor deve criar um novo subenredo, inicialmente de menor importância, para ocupar o posto 3. Assim, sempre haverá subenredos, e cada um terá sua importância no desenrolar dos acontecimentos.

Conclusão

Tenha muita atenção ao criar os subenredos de sua obra. Nunca se esqueça que toda cena, todo personagem, todo e qualquer aspecto narrativo deve contribuir para manter o interesse do público e fazer a história evoluir. Capriche nos conflitos criados pelos seus subenredos pois eles podem ter grande impacto na obra, mas cuidado para eles não ofuscarem o enredo principal! Além disso, é muito comum personagens secundários presentes em um subenredo fazerem sucesso e acabarem se tornando protagonistas de outros trabalhos.

Ciça e a Vovó Zumbi no Twitter


O projeto “As Aventuras de Ciça e a Vovó Zumbi”  tá dando o que falar no twitter:

Pôxa, isso é bem legal! Valeu galera!

 

Agradecimentos, nova tira e flocos de neve!!!


Hey, nada mal esses numeros do wordpress para 2010! É claro que o mérito é todo de vocês que vem me acompanhando faça chuva ou faça sol. 2010 realmente foi um ano muito bom pra mim o qual aprendi muitas coisas no que diz respeito a minha escrita. Eu percebo um amadurecimento em relação ao meu trabalho que nunca senti antes. O livro de tiras já tá quase pronto e hoje mesmo eu mandei os arquivos para a editora. Eu não sei se eles vão gostar, mas estou aqui torcendo para que sim. Nem tô conseguindo dormir de tanta ansiedade – o que não vai me levar a nada já que a analise de um livro por uma editora pode levar seis meses ou mais. Pelo menos foi o que lí pela internet. Tomara que não demore tanto assim. Nesse meio tempo vou continuar postando as tiras no www.cicaeavovozumbi.com – podem até checar a última que postei ontem, ou será que foi hj? (tô perdida no tempo!) Assim que terminar de desenhar o livro voltarei a dar mais atenção a vocês, não se preocupem. Tenho algumas coisas que muita gente me pergunta pelo MSN que gostaria de compartilhar com todos. Talvez escreva sobre isso nesse inicio de ano. Tem cada coisa que esse povo me pergunta, logo pra mim que tenho sempre uma opinião e teoria pra tudo! Isso vai dar o que falar… Prometo que vou me ater apenas às questões relacionadas a escrita!  Também tem coisas interessantes que li na ultima edição da Fantástica que vale a pena comentar (vocês tão lendo a revista né?) e outras tantas coisas. A intenção aqui é ajudar o escritor iniciante a realmente começar. Eu já passei por isso e sei como é difícil escrever as primeiras linhas. É também dificil ajudar quem tá iniciando pois escrever é algo pessoal, íntimo e único. A verdade é que cada um tem o seu jeito proprio de trabalhar, de transformar uma ideia em uma historia de fato. Persistência definitivamente é a chave dessa questão!  Talvez traduza o método do “Floco de Neve” pra vocês. Esse é um artigo que encontrei na web (originalmente conhecido como “snowflake method”) que me ajudou muito a começar. Ele diz que uma história é construída como esse floco de neve. Pra desenhar um floco de neve desses bastam poucas linhas simples que vão continuamente sendo adicionadas e ao final formam uma imagem complexa. A ideia do inventor desse método segue essa linha de raciocínio. Você vai montando sua historia bem devagar e vai adicionando aos poucos os personagens, os conflitos e assim, ao final, terá algo intrincado e complexo como o floco de neve acima. Bem interessante, não é? Acho que vão adorar esse artigo. Ainda não traduzi porque o danado é loooooooooongooooo por demais. Mas tenham paciência, eu vou tomar coragem e vou traduzir o dito cujo.

Quase quatro da manhã, eu vou tentar dormir um pouco.

Bjus da Barts.