Aprenda a estruturar suas cenas


Aqui está o primeiro artigo na série Aprenda estruturar suas cenas. Mais uma vez o artigo foi retirado do site “Helping writers become authors”. Esse site é uma verdadeira mina de ouro e quem souber o inglês não deve deixar de passar por lá. Estou conseguindo esclarecer muita coisa na minha cabeça agora que vejo como uma cena de fato funciona. Aprender a mecânica da coisa certamente está me ajudando, afinal escrever não depende somente de inspiração. Aprender a manejar certas técnicas são imprescindíveis para desenvolver a nossa escrita. Aí vai o texto, divirtam-se!

Estruturando as cenas de sua história, parte 1:

Dominando os dois tipos de cena

Pergunta tipo pegadinha para vocês: Qual a parte mais negligenciada no quebra-cabeças que é a sua história? Okay, então não é realmente uma pegadinha. É uma questão legítima com uma resposta legítima e um tanto assustadora. E a resposta é: a cena. Sim, você ouviu direito. A cena – aquela parte de qualquer história que é mais integral, mais óbvia e mais universal – é também a mais negligenciada e menos compreendida quando falamos da arte de contar histórias. Como se explica a cena? Cada um tem uma resposta diferente.

  1. A cena é a unidade de ação. (Okay, isso é ótimo, mas no que consiste a unidade?)
  2. Uma cena é uma unidade de ação que acontece em um ambiente. (Bem, geralmente isso é verdade, mas há exceções claras.
  3. Uma cena é uma unidade de ação que caracteriza-se por um elenco específico de personagens. Quando esse elenco muda (ex: um personagem entra ou deixa a cena), a cena acaba. (Nem de perto.

É claro, algumas cenas começam e terminam com a entrada de personagens, mas outras continuam com uma porta rotatória/giratória de personagens coadjuvantes que entram e saem.

Antes de seguirmos adiante, gostaria que tirasse um momento e considerasse sua definição de cena. E aposto que quantificá-la é mais dificil do que você pode imaginar, não é?

Os dois tipos de cena

Estruturando seu romance: Chaves essenciais para escrever uma história espetacular.

O problema com a maior parte das definições de cena é que elas são, vamos colocar assim, vagas.

E por serem vagas não são de muita ajuda para autores que desejam entender essa parte fundamental da história. No curso dos próximos doze Domingos gostaria de compartilhar com vocês uma série sobre o âmago da questão no que se refere à cena. Vamos explorar alguns fatos concretos. Vamos aprender a estrutura básica das cenas, variações dessa estrutura e como usar nossa compreeensão sobre esse assunto para comprimir uma sobre a outra até termos uma história que é sólida como uma rocha do início ao fim. Para começar deixe-me ressaltar que estaremos focando em dois tipos diferentes de cenas: cena (ação) e sequência (reação). Na minha opinião estes títulos são absolutamente ridículos e que não ajudam em nada os equívocos em volta da questão. Entretanto, uma vez que estes são os termos normalmente usados para os componentes da história que estaremos falando, decidi mantê-los. Para os objetivos desta série, “Cena” com um “C” maiúsculo se referirá a cena em geral (o qual pode incluir em sua definição a sequência). Usarei um “c” minúsculo e itálicos para cena e sequência quando me referir aos dois tipos de Cenas. Na medida que a série progride, quebrarei as cenas e sequências em pedaços menores para podermos analisar o que as faz funcionar. Mas por enquanto, vamos dar uma olhada no todo.

Infográfico: A progressão emocional da cena e da sequência (Do livro “Structuring Your Novel Workbook”)

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O que é uma cena?

Lembre-se do que falamos semana passada sobre conflito e tensão? A cena é onde achamos o conflito. Esta é a parte da ação na dupla ação/reação. Grandes coisas acontecem nas cenas. Pontos da trama mudam o curso da história. Personagens agem de formas que afetam tudo o que acontece depois. Estas são as cenas que vão se sobressair em suas histórias.

O que é uma sequência?

A sequência é um fator em sua história muito mais quieto mas tão importante quanto a cena. Dentro da sequência achamos os personagens reagindo. Geralmente não há muito conflito direto, mas há abundância de tensão. Estas são as Cenas em que tanto personagens como leitores são permitidos recuperar o fôlego depois dos eventos desenfreados e fascinantes das Cenas anteriores. Reações serão processadas e decisões serão tomadas de modo que os personagens possam pular de volta na próxima cena.

Enquanto mergulhamos mais profundamente no mundo excitante da Cena, falaremos sobre como estruturar o arco de cada Cena, como ligar todas as cenas e sequências de forma que elas se comportem como pequenos dominós, como utilizar esse conhecimento para detectar problemas na trama, e iremos fundo brevemente no nivel micorscópico do parágrafo e estrutura de frases dentro da Cena.

Será divertido, então fique de olho!

Acessado em 02/02/2015 em http://www.helpingwritersbecomeauthors.com/2012/12/structuring-your-storys-scenes-pt-1.html

Mais sobre subenredos


 Tô voltando de onde parei gente. Consegui terminar a história que estava trabalhando mas o ato II não foi nada fácil. Escrevi o roteiro todo, mas desenhar é que são elas! Mais trabalhoso ainda é a arte final. Esse trabalho parece que não tem fim. Preciso mesmo é de um texto motivacional, algo como “como não desistir” ou “como manter o foco”, sei lá. Agora, enquanto termino de desenhar essa primeira história estou trabalhando numa segunda e me vejo novamente nos pegas com esse ato II. Dizem que no segundo ato é que é hora da gente desenvolver os subenredos então lá vou eu de novo fuçar esse tópico. Vejam que artigo legal que encontrei garimpando na net:

Trabalhando com Subenredos- Criando o suporte para a sua história-inicio

Sabemos que o enredo principal de uma história envolve o desejo do protagonista em alcançar um objetivo central para a sua vida. Porém, quase nenhuma obra narrativa se sustenta somente com cenas criadas exclusivamente para o alcance desse objetivo primordial. Para expandir e enriquecer a obra, torna-se necessária a criação de subenredos ( subplots ), que fazem o mundo ficcional criado pelo autor mais realista e humano.

Os subenredos são enredos menores que funcionam como suporte da história, e criam a possibilidade de conhecermos mais sobre a vida do protagonista, além de ser uma das melhores formas de desenvolvermos e criarmos personagens secundários, dando-lhes vida e personalidade. Os subenredos mais comuns são os românticos, os profissionais (relacionados ao trabalho), os familiares, e os obscuros (algo misterioso do passado).

O objetivo principal do Super-Homem é manter a paz na Terra, mas várias vezes somos atraídos pela sua relação com Louis Lane, que forma o subenredo romântico da história. O Homem-Aranha também tem subenredos interessantes, como seu trabalho como fotógrafo no Clarim Diário (subenredo profissional), o que lhe dá uma fonte de renda mas ao mesmo tempo alimenta as propagandas contra sua própria pessoa, e também há um delicado subenredo familiar, representado pela sua frágil tia. O que seria do Senhor dos Anéis sem os seus incontáveis subenredos? Será que apenas a jornada de Frodo sustentaria a história? Lógico que não.

Em obras fechadas como livros e filmes, os subenredos geralmente têm um forte vínculo com o enredo central, e acabam inclusive influenciando o seu final. Vamos usar como exemplo o clássico filme de gangster Scarface de 1932, dirigido por Howard Hawks e que foi refilmado com menos elegância por Brian de Palma em 1983. Scarface tem um roteiro simples e direto, tornando fácil sua análise. É um enredo de ascensão e queda, onde o gangster Tony Camonte (Tony Montana na refilmagem) escala os degraus do poder do crime organizado com uma ambição cega. Dois subenredos em Scarface são utilizados de forma cristalina, se relacionando com a trama central e ajudando na construção dos personagens. O primeiro é a relação do protagonista com sua irmã, baseada em um ciúme doentio. O início do colapso psicológico de Tony ocorre quando ele descobre que seu melhor amigo está tendo um caso com ela. O outro subenredo é o interesse romântico de Tony na mulher do seu chefe, o que revela muito sobre o seu caráter. Bastou a sublime construção desses dois subenredos, além da idéia central, para o filme funcionar.

Muitos autores sentem grandes dificuldades de escrita na hora de criar o meio da obra, o Ato II, e muitas vezes acabam tornando a história arrastada por falta de assuntos interessantes. É nesse momento que os subenredos encontram grande utilidade, tendo a função de manter o interesse da audiência. Porém, o autor deve acrescentar os subenredos de maneira cautelosa, evitando também os excessos.

Uma maneira interessante de aplicarmos com eficácia os subenredos é criarmos para cada subenredo uma estrutura própria de início, meio e fim, sabendo exatamente em qual momento ele será introduzido, como ele será desenvolvido, e como será sua conclusão. A regra básica é a de que todo subenredo deve estar satisfatoriamente concluído ao fim de cada obra. Nunca cometa o gravíssimo erro de iniciar um subenredo e encerrar uma história sem pelo menos dar uma noção de resolução a ele.

É válido lembrarmos que existem alguns casos raros onde uma obra não possui um enredo central claramente definido, e sim vários enredos que podem ou não se entrelaçar no final. O já clássico Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994) é um claro exemplo desse tipo de roteiro. Alguns teóricos costumam dizer que nesse caso não temos subenredos dependentes de um enredo principal e sim multienredos com a mesma importância.

1 – Subenredos em histórias seriadas

Telenovelas, revistas mensais de histórias em quadrinhos e séries de televisão são fortemente baseadas em continuações, e precisam ter um olhar um pouco diferente em relação aos subenredos. Nesse tipo de obra, mais aberta, há espaço para subenredos que não estejam fortemente ligados ao enredo central, e permitem uma maior quantidade de personagens e tramas.

Um subenredo de uma história seriada, após ser introduzido, precisa sempre marcar presença no roteiro, caso contrário a audiência pode acabar se esquecendo dele. Um personagem exclusivo de um subenredo não pode ficar muitos capítulos sem aparecer.

Uma técnica muito utilizada em relação aos subenredos de obras abertas, como seriados e histórias em quadrinhos, é a escada de importância, chamada por Denny O´Neil de Paradigma Levitz ( Levitz Paradigm ). Vamos supor que tenhamos em algum momento da série três subenredos acontecendo, os subenredos 1, 2 e 3, classificados por ordem numérica de importância. Logo, o subenredo 1 tem mais tempo no roteiro. Quando o autor decide finalizar o subenredo 1, há então uma escalada na história. O subenredo 2 passa a ser o novo 1, mais importante, o subenredo 3 vira o 2, e o autor deve criar um novo subenredo, inicialmente de menor importância, para ocupar o posto 3. Assim, sempre haverá subenredos, e cada um terá sua importância no desenrolar dos acontecimentos.

Conclusão

Tenha muita atenção ao criar os subenredos de sua obra. Nunca se esqueça que toda cena, todo personagem, todo e qualquer aspecto narrativo deve contribuir para manter o interesse do público e fazer a história evoluir. Capriche nos conflitos criados pelos seus subenredos pois eles podem ter grande impacto na obra, mas cuidado para eles não ofuscarem o enredo principal! Além disso, é muito comum personagens secundários presentes em um subenredo fazerem sucesso e acabarem se tornando protagonistas de outros trabalhos.

Exercício proposto:

– Pegue uma telenovela, um seriado de TV, um filme ou uma história em quadrinhos e identifique os subenredos envolvidos e o seu tipo (romântico, familiar, profissional, misterioso, etc).

O que gostei nesse artigo foi que ele trata especificamente dos subenredos nos quadrinhos, que é a minha área. Isso foi muito legal. Outra coisa que me chamou atenção foi o tal Paradigma de Levitz, onde os subenredos são classificados por ordem de importância e logo que o primeiro se finaliza o segundo toma o seu lugar e todos que vem abaixo sobem na classificação. Estou lendo a série “Guerra dos Tronos” de George R.R. Martin e reparei que é exatamente essa a técnica que ele usa. Nao posso falar muito senão acabo entregando a história e alguns de vocês vão acabar me matando. Mas ele vai matando uns personagens essenciais, como ele fez no livro 1 e fiquei estarrecida (matou o personagem do Sean Bean). Mas no lugar dele logo surgiram personagens com novas tramas interessantíssimas e já estou no livro quatro e nem sinto falta do personagem que ele fazia – ele era o Ned Stark. Nunca pensei que fosse tão facil matar um personagem carismatico e chave na trama sem prejudicar a historia profundamente. Agora aprendi como os mestres fazem. O negócio é colocar isso em prática, ainda bem que nao estou escrevendo uma trilogia. Ufa! Este texto sobre subenredos pode ser encontrado e lido na íntegra no endereço http://www.tvwin.com.br/filmes/curso.html  Espero que tenham curtido. Bjus Barts.

Escritores que não lêem


Todos sabem que ler faz parte do nosso aprendizado como escritores. Não basta que a gente escreva (e escreva bem), precisamos estar antenados, por dentro das novas tendências e ligados no que outros escritores estão fazendo ou falando por ai. Eu não consigo entender algumas pessoas que dizem querer escrever um livro, mas que detestam ler. Alguém pode me explicar isso?

O meu argumento: 1. Leiam porque o ato de ler faz com que sua escrita melhore consideravelmente; 2. Leiam porque o Brasil é já é conhecido mundialmente como um país que não lê(e isso é uma vergonha para nós!); 3. Leiam para atiçar sua criatividade; 4. Leia para ser original. Não é novidade que é possivel que duas pessoas tenham ideias bem parecidas ainda que estejam a léguas de distância. Por isso é interessante que você saiba o que os outros estão fazendo. E além disso. As vezes uma ideia que você (em seu mundo literário hiper-mega-super-ultra limitado) acha que é original na verdade é tão velha e desgastada que já virou até cliché! Mas não teria como você saber disso por que você não lê. Aí lá vai você, todo entusiasmado, com seu manuscrito debaixo do braço pra mostrar pro seu melhor amigo ou pior, você posta parte do manuscrito em alguma comunidade do orkut e paga aquele mico. Você não entende as críticas que recebe e se vê no direito de argumentar e provar que a sua ideia é o máximo e que você é um gênio incompreendido. E o barraco tá formado!  Isso me cansa, sabe.

Quer escrever fantasia? O mínimo que pode fazer é ler a obra de Tolkien. Vai escrever uma hitória de vampiros? Leia Drácula de Bram Stoker e os livros de Anne Rice. Gente, helloo!!! Leia o que já foi feito, ou seja, leia os clássicos e também os bestsellers da atualidade. Não se contente em escrever uma historinha que só você vai ler. Se dedique pra fazer o seu melhor. Lute para escrever uma boa historia, mesmo que ela seja modesta, mas que seja original e bem escrita. Por isso, LEIAM!!!

OK. Agora que coloquei toda a minha revolta pra fora, vamos falar de uma coisa bem legal que achei futucando a net. Eu descobri o mundo fabuloso das E-Zines. Gente, tem tanta coisa boa pra ler que nem sei por onde começar. Então, já que falei dos vampiros, vou indicar a Fantazine que é uma revista digital que você pode baixar gratuitamente. Eu estou lendo e acho que vocês vão gostar pois essa edição é especial sobre vampiros. Estou bastante empolgada com o artigo sobre a genealogia dos vampiros.  A revista também tem contos, entrevistas com autores, resenhas de livros e uma coluna interessante chamada perfil literário. Vale a pena conferir. Eu particularmente estouaguardando ansiosa a próxima edição. Segue abaixo o link para o blog (É só clicar na imagem da capa).

Não resisti e resolvi voltar e editar o texto. Acabei de achar outra e-zine maravilhosa! Olhem aê:

http://revistafantastica.webs.com/

Especial língua portuguesa #1 – Apresentação


Essa é a minha mais nova ideia. Estava pensando (noite de insonia é assim, a gente pensa e pensa e o sono não chega!) e cheguei a conclusão de que muita gente tem dificuldade na grafia das palavras, na acentuação, no uso do plural e tantas outras coisas mais que dizem respeito a língua portuguesa que achei interessante fazer um especial que suprisse essa necessidade. Eu não sou professora de português, mas como aspirante a escritora tenho dever de a todo tempo melhorar a minha escrita e pensando nisso é que começo mais essa coluna no nosso blog. Ainda estou pensando no que vou colocar no primeiro post, mas podem ter certeza que vai ser muito util. Aguardem.

Bjus da Barts

Ordenando as cenas de sua obra


Ordenando as Cenas de sua Obra

Por Sandro Massarani

O processo de escrita de uma obra está longe de ser linear. Eu penso que este processo de criação esteja mais próximo da maneira de como o artista constrói uma escultura, ou seja, moldando seu objeto de forma gradativa, tendo uma visão ampla do todo ao seu redor.

Como vimos em Estrutura da História (pré-requisito para entendermos esse assunto), o enredo de uma obra pode se dividido em atos, sendo o mais comum a obra em três atos. Indo agora um pouco mais além, esses atos são compostos por sequências de cenas. Logo, uma história também seria uma coletânea de cenas. Observe o simples esquema a seguir:

HISTÓRIA

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ATOS

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CENAS

A cena, portanto, é uma unidade de medida dentro da sua história. Uma determinada sequência de cenas cria um ato, de acordo com os critérios de cada escritor.

Toda vez que existe uma situação dentro de um determinado espaço e tempo temos a configuração de uma cena. Se há a mudança da localidade ou um avanço ou retrocesso do relógio, há automaticamente uma mudança de cena. O autor deve estar bem atento a tudo isso, e deve aprender a construir sua obra tendo em mente a sua divisão em cenas. O enredo de uma história nada mais é, portanto, que o “encadeamento” de cenas, como já disse Aristóteles há mais de dois mil anos.

Após ter a noção de como funciona a estrutura de uma história, o próximo passo do escritor seria o de pegar as suas idéias e tentar organizá-las de modo coerente e eficaz, formulando cenas e colocando-as em uma sequência que o agrade. O autor não precisa e nem deve começar a escrever a obra pelo seu início, e na verdade o ideal seria iniciar a escrita somente após ter todas as cenas planejadas e em ordem, mesmo que de maneira apenas provisória, deixando espaço para mudanças.

De acordo com Blake Snyder, o número ideal de cenas para um roteiro de cinema seria 40. Já Robert McKee estabelece o número de cenas entre 40 e 60. Menos de 40 cenas se for uma obra voltada para teatro e mais de 60 se for para um romance literário. Existem contos consagrados que contam com apenas uma cena. Esse número depende do objetivo a ser alcançado.

Cartões de Cena

Uma das melhores e mais flexíveis formas de organizar o seu processo de escrita é criar um cartão para cada cena e depois ordená-los em sequência para se obter uma visão total de toda a obra.

Primeiramente, escreva em cartões um resumo de suas cenas e não se preocupe por enquanto com a ordem e nem se a cena vai ser utilizada. Como comentei antes, tente o mais cedo possível pelo menos esboçar o fim da história. Você precisa ter um ponto de destino para melhor criar o caminho a ser percorrido.

Vamos dar uma olhada em um exemplo típico de cartão de cena:

Tendo em mãos os diversos cartões, procure separá-los em três grupos, um para cada Ato (isso se o escritor utilizar a divisão por Atos). Alguns escritores chegam a prender esses cartões em um grande mural para ter uma visão mais privilegiada. Outros espalham os cartões pela mesa para depois ordená-los. Se você desejar, não precisa nem fazer os cartões, basta escrever o resumo da cena no computador e ir montando a ordem em um processador de texto ou planilha.

Normalmente, o Ato 1 corresponde no máximo a 30% da obra, o Ato 2 fica em torno de 55% e o Ato 3 em 15%. Logicamente, isso é apenas um parâmetro geral e não deve ser sempre seguido de maneira fixa.

Cada Cena é um Pequeno Filme

O essencial de uma obra é retratar os conflitos que o protagonista tem que ultrapassar para conseguir (ou não) seu objetivo. Cada cena individualmente deve ser tratada da mesma forma, ou seja, cada uma deve ter o seu próprio conflito e objetivo, lembrando que o autor sempre deve fazer a história se mover, evitando estaticidade e diálogos vazios.

Porém, uma boa obra não pode ter somente cenas com intensos conflitos, senão a audiência se desgastará rapidamente. O leitor / espectador precisa de cenas um pouco mais leves para ter um alívio e sustentar a tensão. O ideal é o escritor classificar suas cenas de acordo com o nível de intensidade delas: Baixa, Média e Alta.

As cenas de baixa intensidade são cenas rápidas, de preparação e ligação para o que está por vir. Não demore muito nesse tipo de cena. As cenas de média intensidade compreende a maioria da obra e devem ter conflitos e emoções intensas, diálogos importantes, e construir a essência da história. Já as cenas de alta intensidade são as cenas de grande importância e momentos chave, geralmente pontos de transição e o clímax final. Não deve-se ter mais do que três ou quatro cenas desse tipo em uma obra, pois são cenas de picos emocionais e muito desgastantes. Se essas cenas forem de alta qualidade, já é meio caminho para uma história memorável.

É interessante também o escritor ter a noção do processo de Ação Crescente (Rising Action), ou seja, o protagonista deve enfrentar ao longo da obra obstáculos cada vez mais fortes, sempre aumentando o conflito e a tensão envolvida. Logo, uma cena de alta intensidade no final da obra deve estar ligada a um problema maior do que uma cena de alta intensidade no início da obra. Sempre dificulte a vida do protagonista, ele não deve obter nada facilmente.

Conclusão

Após o escritor decidir a ordem das cenas e a qual ato elas pertencem, quais são os principais personagens, seus objetivos e conflitos, está na hora de começar a escrever. O mais importante é sempre se lembrar de que a ordem das cenas pode mudar a qualquer momento, e que isso é uma prática comum. O escritor sempre deve trabalhar em um processo de tentativa e erro. Com o sistema de cartões ou outra forma de organização semelhante, o autor tem toda a visão de sua obra, e sabe claramente onde está o início, o meio e o fim.

É lógico que boas obras podem e foram criadas sem um sistema de organização e ordenação das cenas, e ninguém deve limitar sua criatividade ficando preso a esquemas rígidos. Porém, quanto maior for o controle do escritor sobre sua história, maior será a sua chance de ver e consertar erros na sua estrutura.

Bons estudos!

http://www.massarani.com.br/Rot-Cenas-Roteiro-Cinema.html

Especial Fantasia #2


Fantasia (gênero)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Fantasia é um gênero de arte que usa a magia e outras formas sobrenaturais como o elemento principal/primário de uma história. Este gênero é geralmente distinguido de Ficção Científica e horror pelo aspecto geral, atmosfera e pelos temas de cada autor individual, embora haja uma grande sobreposição entre os três (conhecidos no seu conjunto por Ficção especulativa). De modo geral, o termo fantasia cobre trabalhos de escritores, artistas e músicos, desde mitos e lendas até obras mais recentes, conhecidas por uma vasta audiência.
Como noutras formas de ficção especulativa, os acontecimentos e acções na literatura fantástica muitas vezes diferem daqueles possíveis na realidade. Em muitos casos, especialmente em trabalhos mais antigos, mas também em muitos modernos, isto é explicado por uma intervenção divina, mágica, ou de outras forças sobrenaturais. Noutros casos, mais frequentemente em trabalhos de História, na chamada High Fantasy, a história pode acontecer num mundo fantástico, que é completamente diferente do nosso, completado com leis distintas da natureza que permitem a magia.

Definição

As características definidoras da “ficção fantástica” e muitos dos seus subgêneros são assunto de debate entre escritores, estudantes e fãs.
Uma característica muitas vezes citada como delineadora e que limita a fantasia é que a história difere do nosso universo duma maneira que não resulta da ciência ou tecnologia, mas sim devido a magia ou outro fenómeno anormal. Este critério é comumente, mas não universalmente aceito. Por exemplo, muitas das histórias infantis podem preencher este requisito, no entanto são consideradas um gênero diferente.
Como gênero, a fantasia está duplamente associada e distinguida da ficção científica e do horror. Todos os três gêneros contêm elementos de fantasia, e distanciam-se radicalmente da realidade, ou especulam radicalmente sobre a natureza da realidade. Se a Ficção Científica é considerada o gênero do que podia ser/poderá ser e a Alternate history o gênero do que poderia ter sido, a Fantasia é o gênero do que não é/não foi. Alguns escritores e críticos preferem por isso o termo ficção especulativa, devido às frequentes sobreposições entre gêneros. O termo fantasia científica é também por vezes utilizado para descrever histórias de ficção científica que incorporam elementos de fantasia, ou histórias de fantasia que ocorrem em cenários mais comummente associados com ficção científica.
Para complicar ainda mais a distinção, alguns sugerem que há uma distinção entre o gênero fantástico e outros gêneros fantásticos mais gerais, os quais usam elementos fantásticos em outros gêneros de ficção.

História

Apesar de o gênero, no seu sentido moderno, ter menos de dois séculos, os seus antecedentes têm uma história longa.
Começam talvez com os documentos mais antigos conhecidos pela humanidade. Mitos e outros elementos que surgiriam para definir a Fantasia e os seus subgêneros, foram parte de alguns dos mais grandiosos e celebrados trabalhos de literatura. Desde a Odisseia, as Lendas Arturianas, dos romances medievais à poesia épica da Divina Comédia, das aventuras fantásticas de bravos heróis e heroínas, monstros e reinos secretos, inspiraram muitas audiências. Neste sentido, a história da Fantasia e a História da Literatura estão intimamente interligadas.
A história do mundo moderno da fantasia começa com William Morris, membro da irmandade pré-rafaelita, que, nos fins do século XIX, se tornou o pioneiro do gênero com a obra “The Well at the World’s End” (o Poço no Fim do Mundo) e outras obras, e Edward Plunkett, Lord Dunsany, que continuou a tradição até ao século XX.
Desde o início até meados do século XX, muitas obras de fantasia foram publicadas nas mesmas revistas de ficção científica, sendo muitas vezes escritas pelos mesmos autores.
Nos meados do século XX, dois subgêneros de fantasia tornaram-se muito populares: High Fantasy e Sword and Sorcery (Espada e Feitiçaria). Dentro do gênero de High Fantasy, O Hobbit e O Senhor dos Anéis são marcos; outros trabalhos importantes são As Crónicas de Narnia, de C. S. Lewis, e as séries Earthsea de Úrsula K. Le Guin. Alguns dos mais importantes contributos para o gênero Sword and Sorcery incluem Fritz Leiber, Robert E. Howard e Clark Ashton Smith. A literatura fantástica viu a sua popularidade renovada no fim do século XX, muitas vezes influenciada por estes trabalhos e, tal como eles, influenciada por mitos e romances épicos e medievais.
A popularidade do gênero fantástico continuou a aumentar no século XXI, como é demonstrado pelo best seller Percy Jackson e os Olimpianos e no livro , como pelas adaptações ao cinema de algumas obras, que se tornaram êxitos estrondosos, de que são exemplo os recentes filmes d’O Senhor dos Anéis.

Media

A Fantasia é um gênero popular, encontrando lugar em quase todos os media. Enquanto que a arte fantástica e os filmes de fantasia foram altamente sucedidos, é na literatura que o Fantasia se expandiu mais e diversificou.
Os jogos de fantasia cruzam medias diferentes. O RPG primitivo, no qual apenas aparecia texto Dungeons & Dragons foi o primeiro e definitivamente o mais bem sucedido e o que mais influenciou futuros jogos, embora o jogo de pseudo fantasia científica Final Fantasy se tenha tornado um ícone dos RPG. Devido a estes, muita nova arte, literatura, e mesmo música surgiu. As companhias de jogos publicaram romances de fantasia com base no universo dos seus jogos ficcionais; Forgotten Realms e Dragonlance são as mais populares. Do mesmo modo, livros baseados em filmes de fantasia e séries de TV também se tornaram populares. Similarmente séries de novelas baseadas em filmes de fantasia e séries de TV encontraram seu espaço.
A fantasia moderna, incluindo a mais recente, também criou muitos subgêneros sem ligação clara com o folclore ou mitologia, embora a inspiração nestes temas continue. Os subgêneros da fantasia são numerosos e diversos, sobrepondo-se frequentemente a outros gêneros de fantasia especulativa. Contudo, dentro destes subgêneros destacam-se a fantasia científica e a dark fantasy, onde a fantasia se mistura com a ficção científica e o horror, respectivamente.

Subcultura

Os fãs de fantasia juntaram-se primeiramente na World Fantasy Convention, em 1975, que se realiza até agora, todos os anos numa cidade diferente.
Muitas destas conferências juntam fãs não só de fantasia, mas também de fantasia especulativa, e também de Anime. Dentro destas subdivisões incluem-se também outras subculturas, como os cosplay (pessoas que fazem/usam roupas baseadas em personagens existentes ou auto-criadas, comportando-se por vezes como essas personagens). Há também diversos livros de fantasia muito bem elaborados, como por exemplo, o livro de Edryon, que conta a história de um jovem elfo cinzento caçador de dragões, que procura resolver os diversos desafios e problemas do mundo fantástico de Fynge. Para os fãs de uma boa leitura gratuita, poderão conferir o livro através do link : http://www.bookess.com/read/1639-edryon/
A juntar a estes há também a enorme comunidade na Internet, que se dedica a ler e a escrever ficção.

Este texto pode ser encontrado no endereço http://pt.wikipedia.org/wiki/Fantasia_%28g%C3%AAnero%29