Aprenda a estruturar suas cenas


Aqui está o primeiro artigo na série Aprenda estruturar suas cenas. Mais uma vez o artigo foi retirado do site “Helping writers become authors”. Esse site é uma verdadeira mina de ouro e quem souber o inglês não deve deixar de passar por lá. Estou conseguindo esclarecer muita coisa na minha cabeça agora que vejo como uma cena de fato funciona. Aprender a mecânica da coisa certamente está me ajudando, afinal escrever não depende somente de inspiração. Aprender a manejar certas técnicas são imprescindíveis para desenvolver a nossa escrita. Aí vai o texto, divirtam-se!

Estruturando as cenas de sua história, parte 1:

Dominando os dois tipos de cena

Pergunta tipo pegadinha para vocês: Qual a parte mais negligenciada no quebra-cabeças que é a sua história? Okay, então não é realmente uma pegadinha. É uma questão legítima com uma resposta legítima e um tanto assustadora. E a resposta é: a cena. Sim, você ouviu direito. A cena – aquela parte de qualquer história que é mais integral, mais óbvia e mais universal – é também a mais negligenciada e menos compreendida quando falamos da arte de contar histórias. Como se explica a cena? Cada um tem uma resposta diferente.

  1. A cena é a unidade de ação. (Okay, isso é ótimo, mas no que consiste a unidade?)
  2. Uma cena é uma unidade de ação que acontece em um ambiente. (Bem, geralmente isso é verdade, mas há exceções claras.
  3. Uma cena é uma unidade de ação que caracteriza-se por um elenco específico de personagens. Quando esse elenco muda (ex: um personagem entra ou deixa a cena), a cena acaba. (Nem de perto.

É claro, algumas cenas começam e terminam com a entrada de personagens, mas outras continuam com uma porta rotatória/giratória de personagens coadjuvantes que entram e saem.

Antes de seguirmos adiante, gostaria que tirasse um momento e considerasse sua definição de cena. E aposto que quantificá-la é mais dificil do que você pode imaginar, não é?

Os dois tipos de cena

Estruturando seu romance: Chaves essenciais para escrever uma história espetacular.

O problema com a maior parte das definições de cena é que elas são, vamos colocar assim, vagas.

E por serem vagas não são de muita ajuda para autores que desejam entender essa parte fundamental da história. No curso dos próximos doze Domingos gostaria de compartilhar com vocês uma série sobre o âmago da questão no que se refere à cena. Vamos explorar alguns fatos concretos. Vamos aprender a estrutura básica das cenas, variações dessa estrutura e como usar nossa compreeensão sobre esse assunto para comprimir uma sobre a outra até termos uma história que é sólida como uma rocha do início ao fim. Para começar deixe-me ressaltar que estaremos focando em dois tipos diferentes de cenas: cena (ação) e sequência (reação). Na minha opinião estes títulos são absolutamente ridículos e que não ajudam em nada os equívocos em volta da questão. Entretanto, uma vez que estes são os termos normalmente usados para os componentes da história que estaremos falando, decidi mantê-los. Para os objetivos desta série, “Cena” com um “C” maiúsculo se referirá a cena em geral (o qual pode incluir em sua definição a sequência). Usarei um “c” minúsculo e itálicos para cena e sequência quando me referir aos dois tipos de Cenas. Na medida que a série progride, quebrarei as cenas e sequências em pedaços menores para podermos analisar o que as faz funcionar. Mas por enquanto, vamos dar uma olhada no todo.

Infográfico: A progressão emocional da cena e da sequência (Do livro “Structuring Your Novel Workbook”)

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O que é uma cena?

Lembre-se do que falamos semana passada sobre conflito e tensão? A cena é onde achamos o conflito. Esta é a parte da ação na dupla ação/reação. Grandes coisas acontecem nas cenas. Pontos da trama mudam o curso da história. Personagens agem de formas que afetam tudo o que acontece depois. Estas são as cenas que vão se sobressair em suas histórias.

O que é uma sequência?

A sequência é um fator em sua história muito mais quieto mas tão importante quanto a cena. Dentro da sequência achamos os personagens reagindo. Geralmente não há muito conflito direto, mas há abundância de tensão. Estas são as Cenas em que tanto personagens como leitores são permitidos recuperar o fôlego depois dos eventos desenfreados e fascinantes das Cenas anteriores. Reações serão processadas e decisões serão tomadas de modo que os personagens possam pular de volta na próxima cena.

Enquanto mergulhamos mais profundamente no mundo excitante da Cena, falaremos sobre como estruturar o arco de cada Cena, como ligar todas as cenas e sequências de forma que elas se comportem como pequenos dominós, como utilizar esse conhecimento para detectar problemas na trama, e iremos fundo brevemente no nivel micorscópico do parágrafo e estrutura de frases dentro da Cena.

Será divertido, então fique de olho!

Acessado em 02/02/2015 em http://www.helpingwritersbecomeauthors.com/2012/12/structuring-your-storys-scenes-pt-1.html

Sistema de Sete Pontos by Dan Wells


Estrutura da historia – O Sistema de sete pontos

Achei esse sistema fantástico para montarmos a estrutura ou o esqueleto da historia. Estou usando para estruturar meus contos e acho que está me ajudando bastante. É uma pena que está tudo em inglês. Para quem é fluente no idioma pode acompanhar o video original que é uma palestra do autor Dan Wells na Brigham Young University em Utah que aconteceu em 13/02/2010. Eis aí o link do you tube para a primeira parte do vídeo (são cinco partes ao todo) o link para as outra partes vocês podem encontrar no menu a direita, onde têm os vídeos relacionados. http://www.youtube.com/watch?v=KcmiqQ9NpPE&feature=search

Vale lembrar aqui que antes de começar a usar esse esquema você precisa ter uma ideia mesmo que vaga em sua mente. Sem essa base não há como criar esse esqueleto. Você precisa de ter uma ideia bem legal, personagens e o cenário onde a historia vai acontecer para então poder começar a estruturá-la. Vamos então ao sistema. O esquema é esse demonstrado abaixo:

Hook :

Plot turn 1:

Pinch 1:

Midpoint:

Pinch 2:

Plot turn 2:

Resolution :

Cada palavra corresponde a um estágio essencial que sua historia tem que passar. No vídeo Dan Wells usou para exemplo o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal. À medida que ele vai destrinchando o enredo o esquema acima vai se completando e podemos ver como a historia foi construída. Esse é um exercício fenomenal para praticarmos a construção de uma historia. Se você conseguir discernir esses estágios nos  livros que lê, é certo que não vai ter problemas em aplicar essa mesma teoria no que está escrevendo. O que segue então é uma tradução livre da palestra que assisti no you tube feita por mim (perdoem-me se tiver algum erro na tradução).

Vamos ao começo. Ao contrário da lógica Dan inicia suas historias não pelo inicio mas pelo final ou resolução (Ele opera desta forma por que geralmente seus finais não são nada bons). Eu concordo completamente com essa abordagem pois sinto a necessidade de saber para onde estou indo no momento de escrever. Algumas pessoas não vêem graça nenhuma em fazer dessa forma. O que posso dizer é que não existe maneira certa de escrever; o que existe é a maneira que funcione para você. Essa forma funciona para mim e pronto. É igual propaganda da NESTON “Existem mil maneiras de preparar NESTON, invente uma!” pois é, se isso não funciona pra você só lhe resta então inventar a sua própria fórmula.

Continuando. Ele usa um exemplo que gostei bastante que é o primeiro livro de harry Potter(HP e a pedra filosofal). Qual foi a resolução do livro? Harry vence Voldemort, ou seja, ele acaba em uma posição de poder. Então eu já tenho uma ideia básica da historia que quero contar e sei mais ou menos onde vou terminar. Desta forma Dan passa para o outro extremo do esquema que é o HOOK (em inglês significa gancho). Ele simplifica muito esse começo estipulando que o inicio tem que ser o inverso do fim. Se HP acaba o livro em uma posição de poder, então ele deve começar na posição oposta que é de extrema fraqueza e fragilidade. E é exatamente isso que acontece, Harry começa como um menino órfão morando na casa dos tios num quarto debaixo da escada. Percebem como isso é diametralmente oposto ao que acontece no final? Isso é interessante porque lhe mostra o arco do personagem bem claramente, ou seja, mostra a evolução do personagem que sai de uma posição de vulnerabilidade para uma de poder. E isso é legal, personagens devem evoluir, crescer para dar a impressão que são reais.

Partimos então para o MIDDLE POINT que é o meio da historia, é também o ponto onde o personagem sai da reação e parte para a ação. É a transição do personagem que está no começo em uma posição de fraqueza e caminha para a posição de poder do final. Aqui o personagem deve parar de fugir do problema e começar a enfrentá-lo. No livro Senhor dos Anéis isso acontece no conselho de Elrond onde Frodo decide destruir o anel. Até esse ponto os hobbits estavam fugindo pra lá e pra cá tentando apenas sobreviver, mas a partir desse ponto Frodo decide resolver o problema. Esse momento para HP foi quando descobriu quem era Voldemort e o que ele queria fazer. No livro isso acontece no decorrer de mais de uma cena, primeiro descobrindo quem era Nicholas Flamel  e que ele estava preso em Hogworths e depois na floresta ele vê um cara esquisito sugando o sangue do unicórnio e ai decide que isso é errado e decide intervir. É aqui que ele faz essa mudança de atitude, ele sai da reação e passa para a ação.

PLOT TURN 1 é o próximo item a ser preenchido.  Ele força o protagonista a sair do inicio (HOOK) caminhando para o meio (MIDPOINT). Ele introduz conflito na historia. Ele muda o mundo do personagem.  Existem muitas maneiras de mudar o mundo do personagem. Você pode introduzir novos personagens, descobrir novos segredos ou seguir o coelho branco (como em Matrix). Isso pode tomar a forma de um chamado para a aventura, como no monomito de Campbell. Alguem aparece do nada e diz: Você foi o escolhido para salvar a princesa! Ou ainda, pode tomar a forma de um confronto de novas ideias (os Capuletos não são monstros comedores de bebês – em Romeu e Julieta). Em HP esse ponto é quando Harry descobre que é um bruxo e começa a aprender magia.

PLOT TURN 2 nos carrega do MIDPOINT  para o final (RESOLUTION). É onde o personagem descobre a ultima peça que vai permitir que ele resolva o quebra-cabeças.Geralmente pode ser resumido na frase “a força está em você”.  Em Guerra nas Estrelas é “use a força Luke”. No Mágico de Oz são os sapatos vermelhos que ela está usando desde o inicio. Em Matrix “Neo, você é o escolhido”. Em HP o poder também está nele, ou melhor, no bolso da calça dele. O espelho que está guardando a pedra vê que a motivação de Harry é pura e põe a pedra dentro do bolso dele, dando a Harry o poder de destruir Voldemort. Esse era o ultimo pedaço que Harry precisava para resolver seu problema.

Agora vamos aos PINCH (em inglês significa aperto, embaraço, emergência, apuros). Um PINCH é criado para criar pressão na historia. Existem muitas formas de fazer isso:  coisas horriveis podem acontecer, vilões podem atacar, a paz pode ser destruída, e etc… Não importa a forma que vai tomar contando que leve o personagem a ação.

PINCH 1 De volta a Harry Potter, Dan nos lembra que esses garotos têm apenas 11 anos de idade e no final da historia terão de vencer o mais maligno e temido vilão de todos os tempos. Eles não vão tomar essa iniciativa por eles próprios (enfrentar Voldemort), alguma coisa tem que forçá-los a isso. O ataque dos trolls é excelente nesse momento pois não tem nenhum adulto por perto então eles são forçados, contra suas vontades a dar um passo adiante e usar os poderes que eles têm para resolver esse problema.

PINCH 2 coloca mais pressão fazendo que a situação pareça impossivel de se resolver. De que forma podemos fazer isso? Pode ser que o plano que tinham dê errado, ou o mentor morre deixando o herói sozinho, o vilão parece estar vencendo etc e tals.  Em Senhor dos Anéis  Gandalf, que vinha liderando o grupo, morre na luta contra o Balrog. Mais uma vez o personagem é obrigado a agir, a tomar a frente, a decidir. Em HP é quando eles vão para a masmorra e ele perde os amigos Ron e Hermione nas armadilhas e tem que seguir sozinho. Olha a pressão ai mais uma vez.

Esse então é o sistema. Nesse momento a historia ainda não está completa; quem leu HP e a Pedra Filosofal sabe que existem inúmeras outras cenas e personagens e tals, mas esse é o esqueleto da historia. Adicione seus personagens, cenários e subplots e você tem um livro(quem sabe um bestseller?). Você pode usar esse método simples para criar qualquer tipo de historia, seja de romance, terror, suspense. Estou usando para criar contos e acho que tem me ajudado bastante.

Achei interessante traduzir essa aula porque estou me dedicando a escrever contos e qualquer coisa que facilite esse processo é bem vindo. Não é uma fórmula mágica ou receita de bolo para ser seguida, mas são estágios fundamentais que toda e qualquer historia precisa passar para fazer sentido e tocar as pessoas. Dan Wells ainda fala sobre outras coisas nesses videos que não vou traduzir aqui, mas que são fundamentais em qualquer historia. São os prólogos, ambientes ricos, personagens carismáticos, enredos e sub-enredos,  ciclos de tentativas e erros e muito mais. Quem se interessar pode assistir os vídeos aqui mesmo pois já fiz um post com todos eles, mas infelizmente a palestra está toda em inglês e poucos poderão apreciá-la.

Anyway… ao final devemos ter um esquema assim:

Hook : Harry tem uma vida triste e tediosa…

Plot turn 1: Harry se torna um mago e aprende magia.

Pinch 1: Ataque dos trolls.

Midpoint: Harry descobre a verdade sobre a pedra filosofal e jura que vai protegê-la de Voldemort.

Pinch 2: Ron e Hermione caem nas armadilhas da masmorra e Harry fica sozinho.

Plot turn 2: Harry descobre a pedra em seu bolso porque sua intenção é pura.

Resolution : Harry vence Voldemort.

Espero que aproveitem esse post tanto quanto eu!

Bjus da Barts.

OBS: Fui informada pelo meu amigo Danilo K. que existem alguns erros no que diz respeito ao livro de J.K.Rowling, Harry Potter e a Pedra Filosofal. Eu não sei se Dan Wells leu o livro mas aparentemente Nicholas Flamel não estava preso em Hogwarts, mas sim a pedra filosofal. E não foi a pedra que deu poderes a Harry para destruir Voldemort e sim o feitiço que sua mãe fez e colocou sobre ele antes de morrer.

Bem, por enquanto isso é tudo. Se descobrirem mais alguma inconsistência me avisem! (Esse Dan Wells me paga!)

Palestra de Dan Wells (em inglês)


Aqui está a palestra de Dan Wells na BYU em Utah, Fevereiro/2010. Dan é autor do livro “Eu não sou um serial killer” (indisponível no Brasil) que já está bombando na Europa e em 26 de Agosto será lançado também nos Estados Unidos.

Início, meio e fim (parte 3)


O Terceiro Ato

Essa é a parte que costumamos a nos referir como o final. É o desfecho do livro. Quando falamos desse ato estamos falando do clímax, do ápice, do momento em que tudo será resolvido (ou quase tudo. Se estiver escrevendo uma trilogia tem que deixar alguma coisa solta pro próximo livro, né?).

A maioria das pessoas relata que adoram o 3º ato porque é nele que vem aquela cena bem grandiosa de final de filme. É quando o mocinho depois de apanhar a história toda (isso foi no 2º ato), finalmente reage e acaba com o vilão!

Com relação a duração, da mesma forma que o inicio, deve compreender ¼ do livro, ou seja, se o total do livro for de 100 páginas esse ato deverá ter cerca de 25 páginas.

O que deve acontecer no 3 Ato?

Primeiro eu vou mencionar o que não devemos fazer nesse ato. Não devemos de forma alguma introduzir um novo personagem. E nada de inventar um problema novo. O problema que nosso herói ou heroína vai resolver já foi estabelecido, lá no 1º ato. Estamos chegando no final, aqui precisamos de solucionar todos os problemas que apresentamos e desenvolvemos nos atos anteriores. É o desfecho. É aqui que vamos resolver todos os conflitos de todos os personagens que apresentamos no inicio do livro (todos que tiverem um arco de história, é claro).

Então vamos relembrar. No 1º ato apresentamos os personagens, ambiente e o conflito da história. No 2º ato as coisas vão só piorando. O personagem passa por um ciclo de tentativas e erros que o conduz ao 3º ato, ao grand finale, a batalha final entre as forças do bem e do mal (é logico que isso é no sentido figurado, se você estiver escrevendo uma história de amor não vai ter nenhuma batalha!). É aqui que o herói conquista a mocinha, acaba com o vilão ou a bomba que ameaçava destruir toda a cidade é finalmente desarmada. Depois dessa grande cena temos que terminar e sair. Não há nada mais para contar. Toda a tensão que você criou ao longo dos atos se dissipou e agora não há nada mais que prenda seu leitor. É o fim.

Início, meio e fim (parte 2)


Continuando com o assunto que comecei na semana passada…

O segundo Ato

Esse é o meio do livro. É a parte mais longa. Muitos autores também acham que é a parte mais chata. Li relatos de diversos escritores que dizem gostar muito de escrever o inicio e o fim, mas odeiam o meio. Porquê pensam assim? Bem, o primeiro ato é interessante porque estamos empolgados, tudo é novo, novos personagens, um novo mundo cheio de mistérios a resolver. O final é gostoso também porque geralmente é cheio de ação e de descobertas. Mas o segundo ato se arrasta.

Mas eu tenho uma opinião diferente sobre o segundo ato. Isso não é porque sou um ser humano inteligentíssimo não. Não cheguei a essa conclusão sozinha.

Eu num já disse que vou aprender essa bagaça nem que seja na marra? Pois é. Ouvindo um podcast fantástico (em inglês) chamado Writing Excuses, aprendi que quando o segundo ato se arrasta ou está chato é porque estamos fazendo algo de errado. Se nem você aguenta escrever essa parte quem então vai aguentar ler 250 páginas de pura chatice? Com certeza eles vão parar de ler sua história e nunca mais vão comprar nem um livro seu.

A solução mais interessante que achei foi: toda vez que estiver chato faça o vilão, ou um dos vilões, chutar a porta e entrar em cena. Temos que manter a tensão e a ação em níveis progressivamente mais altos até chegar ao clímax do 3º ato.

Então qual deve ser a duração do 2º  ato?

O segundo Ato deve compreender cerca de ½ do livro. Num livro de 100 páginas o segundo ato deve ter cerca de 50 páginas. Se for um livro de 500 páginas deverá ter cerca de 250 páginas.

Ok, agora  vamos ao que interessa.

O que deve acontecer no 2 Ato?

Agora que já sabemos quem são os personagens, onde a história se passa e qual o desafio que devem encarar entramos numa nova fase, entramos no segundo ato. Nesse ponto seus leitores devem estar curiosos e enfeitiçados com a sua introdução, o próximo passo é faze-los ficar de olhos grudados em cada página.

De que forma fazemos isso? A gente vai pegar aquele personagem bonzinho, que todo mundo simpatizou, aquela mocinha, ou o herói, e fazer com que COMA O PÃO QUE O DIABO AMASSOU!

Isso quer dizer que vai passar por um ciclo de tentativas e erro. O personagem vai tentar inumeras formas de resolver o conflito e vai falhar em todas elas. A cada tentativa o problema deve piorar ou intensificar. O personagem tenta resolver mas só complica mais a situação.

Passagem ao 3 Ato

Quando sei que é a hora de passar para o final? Quando o personagem está acabado. Já usou tudo o que sabia, todas as suas habilidades e não consegue resolver o conflito. Ou seja, quando o seu personagem estiver no fundo do poço, sem alternativas e esgotado.

Na próxima semana tem a última parte desse artigo. Não percam!

Inicio, meio e fim (parte 1)


Início, meio e fim

Hoje quero falar de uma coisa muito legal que eu descobri. Eu descobri que para escrevermos uma boa história precisamos de um roteiro, isto é, um plano de ação que descreva a estrutura da história. Isso quer dizer o quê? Quer dizer que primeiro acontece isso, depois aquilo e depois aquilo outro e então vem o fim. Deu pra entender? É a maneira como você vai ordenar as cenas de forma a conseguir coerência e clareza. Tem coisa mais horrível que quando você lê um texto e não entende onde o autor quer chegar ou o que ele está querendo dizer? Qualquer texto precisa de clareza, ou a sua mensagem não vai ser compreendida. Se o seu texto é uma história e se ela não for clara seus leitores vão ter dificuldades de entender o que você quer dizer, ou aonde quer chegar. Existem várias maneiras de se estruturar uma história. Descobri alguns formatos famosos. (Oh, isso simplesmente é o máximo! Tô com palpitação de tanta emoção).Tem o Monomito, mais conhecido como A Jornada do Herói. Esse padrão foi usado por George Lucas na criação da saga Jornada nas Estrelas. Tem tanta coisa pra se falar disso que tenho que deixar para depois, senão vou fugir do meu objetivo. Tem o Paradigma de Freytag que é muito legal também. Para ele o drama é dividido em cinco partes ou atos. Ele ilustra este formato como uma pirâmide, onde cada ponta representa os elementos chave da história.

Eu tô maluquinha com tanta informação!

Mas o que eu gostei e achei bem simples de usar é uma estrutura que tem origem no drama da Grécia antiga chamada de Estrutura dos Três Atos. Essa estrutura é bem famosa e pesquisando um pouco na internet descobri que era sobre ela que minha professora de redação falava tanto. Vocês devem se lembrar de suas professoras falando que todo texto precisa de ter início, meio e fim. Muita gente acha que isso é a estrutura dos três atos, mas essa é uma forma muito simplória de apresentar esse assunto. De qualquer forma, eu não pretendo me aprofundar em Aristóteles, mas gostaria de compartilhar o que aprendi sobre como usar essa estrutura para organizar essa história que estamos escrevendo.

O Primeiro Ato

O que é o primeiro ato? O primeiro ato seria o que a sua professora diz ser o início da história. Qual a duração do primeiro ato? Em um livro, o primeiro ato deve compreender aproximadamente ¼ do livro. Então se seu livro tem 100 páginas, o primeiro ato deve ter cerca de 25 páginas. Se o livro tiver 500 páginas ele deve ter aproximadamente 125 páginas.

O que deve acontecer no primeiro ato?

O que precisa acontecer nessas primeiras 25 páginas? Como eu disse antes, algumas coisas precisam acontecer nesse início para que a história flua bem. A primeira dessas coisas é você apresentar o local onde a história se passa. Isso significa o ambiente (se é numa floresta, numa cidade ou em um determinado país), o tempo (é hoje, é no período medieval, é no futuro?) ou o mundo (planeta Terra? outra galáxia? Terra Média?). A segunda coisa a ser apresentada é o personagem principal (ou os personagens principais, se houver mais de um). E a terceira coisa a ser apresentada é o conflito. O que quero dizer com conflito? Bem, você não vai apresentar seus personagens fazendo nada, né? Tem que ter movimento. Toda história deve ter um conflito, um problema que o personagem precisa de resolver. Tipo, salvar a mocinha!!! então aqui no primeiro ato você precisa de mostrar para o leitor qual é o desafio que o seu personagem vai enfrentar. Qual mistério que ele se propõe a escrever. Talvez ele tenha que descobrir o assassinato de alguém ou achar um artefato mágico ou sei lá! Seja lá o que for, tem que tocar nesse assunto até a página 25 – se seu livro tiver 100 páginas, é claro! (Brincadeirinha, isso é uma referência apenas, não é pra seguir a risca. Todos os números que citar nesse texto são aproximados, é só pra ter uma noção).

Passagem ao 2 Ato

Quando acaba o primeiro ato? O primeiro ato acaba quando seu personagem tenta resolver o problema, o conflito, e falha. Ou então quando ele descobre que o problema que ele estava tentando resolver na verdade não é o problema;  o verdadeiro problema é muito maior do que ele pensava. É como se ele tivesse ganhado uma batalha e apesar de estar feliz por isso, ele descobre que está em uma grande guerra. E ele ganhou apenas a primeira e insignificante batalha. Podemos dizer também que o primeiro ato termina quando o seu personagem entra em um novo mundo. Ex.: é quando Frodo sai do Condado (em Senhor dos Anéis). É quando Langdon (em Código Da Vinci) deixa de ser um colaborador da polícia francesa e passa a ser um fugitivo da policia.